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O exército turco deu a conhecer esta quarta-feira uma gravação dos avisos sonoros enviados ao avião militar russo Su-24 instantes antes deste ter sido abatido. No áudio pode escutar-se uma voz, em inglês, que se identifica como sendo da “Força Aérea turca”, e que diz ao caça que este se “está a aproximar-se do espaço aéreo turco”, ordenando-lhe em seguida:” Mude o seu rumo imediatamente.”

A gravação foi conhecida horas depois de Konstantin Murajtin, identificado pela Rússia como sendo o piloto que sobreviveu terça-feira à destruição do Su-24, garantir que o avião militar russo não violou o espaço aéreo turco “nem por um segundo”. Além disso, naquelas que foram as suas primeiras declarações após ser resgatado, o militar afirmou que, ao contrário da versão que mantém Ankara, os turcos não fizeram nenhum aviso, “nem visual nem sonoro”, antes de disparar sobre o caça. 

“Eu conseguia ver claramente o mapa do território, onde era a fronteira [com a Turquia] e onde é que nós estávamos”, disse Murajtin à televisão pública russa. “Nem sequer ameaçámos entrar na Turquia”, acrescentou. Logo no começo do seu discurso, o piloto garantiu que o míssil “veio de repente”, sem lhes ser possível evitá-lo.

Em declarações à rádio Europe 1, o embaixador russo em França, Alexander Orlov, afirmou horas antes que o soldado russo foi resgatado, depois de se ejetar, pelo exército sírio e transportado depois uma base militar russa nas proximidades.

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“Um dos pilotos foi ferido enquanto descia de paraquedas e morto já no solo por jihadistas. O outro tentou escapar e, de acordo com as últimas informações, foi recolhido pelo exército sírio”, disse esta quarta-feira de manhã Orlov.

O avião militar russo abatido elevou e muito a tensão entre a Rússia e a Turquia, que tem o segundo maior exército da NATO. O incidente ocorreu após uma série de reclamações turcas, desde meados de outubro do ano passado, quanto a invasões do seu espaço aéreo por aviões russos. O primeiro-ministro turco Ahmet Davutoğlu justificou ontem que “é nosso dever tomar todas as medidas contra uma violação das nossas fronteiras.”

No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, que classificou o ataque ao Su-24 como uma “facada nas costas” (e alertou sobre as “consequências” que isso virá a ter), garantiu que o avião “não violou o espaço aéreo turco.” Os turcos, por sua vez, garantiram à NATO que a violação ocorreu mesmo, tendo o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, apelado à “calma”.