O Governo de Costa tem 17 ministérios, ficando em segundo lugar no ranking dos maiores de sempre em Portugal. Se o socialista tivesse cumprido a promessa de dar o estatuto de ministério aos Assuntos Europeus ficaria com 18 pastas, as mesmas de Pedro Santana Lopes, o recordista.

Margarida Marques, a escolhida para a pasta dos Assuntos Europeus que não será ministra mas apenas secretária de Estado, desdramatiza. “Acho que é uma boa escolha ficar no Ministério dos Negócios Estrangeiros“, diz ao Observador a ex-representante em Lisboa da Comissão Europeia.

Durante a campanha, o líder socialista disse que queria ter “alguém com um estatuto superior a secretário de Estado”, em entrevista ao Sol, mas isso não acabou por acontecer. Em causa esteve a preocupação em não aumentar ainda mais a dimensão do Executivo (é o segundo maior que Portugal já teve) e o entendimento de o nome de Augusto Santos Silva para ministro dos Negócios Estrangeiros ter força política. 

Mas a promessa de Costa, que afinal não foi cumprida, já mereceu críticas. “Foi pena não se ter concretizado a proposta inicial de António Costa de criar um ministério da União Europeia (…) com jurisdição sobre a política europeia do país, incluindo a coordenação transversal de todos os ministérios setoriais nas suas relações com a UE, o que só um ministro de Estado com estatuto especial poderia assegurar”, criticou o ex-eurodeputado do PS Vital Moreira num artigo de opinião no Diário Económico. “A situação adotada até agora, de integrar os assuntos da UE no MNE, não faz sentido hoje em dia. Primeiro, porque a UE deixou de ser há muito – se é que alguma vez o foi – uma questão externa, sendo cada vez mais o principal fator da política interna em todas as suas dimensões. Misturar a UE e as relações com terceiros países ou organizações internacionais é confundir coisas completamente diferentes”.

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Em entrevista ao semanário Sol, em agosto, o secretário-geral socialista admitia ter ministros sem ministérios para dar peso a três áreas: Europa, Mar e Modernização Administrativa. Destes três, dois tiveram direito a ministério. O Mar ficou com Ana Paula Vitorino e a Modernização Administrativa com Maria Manuel Leitão Marques que acumula esta área com a Presidência.

Fundadora da JS, Margarida Marques foi cabeça de lista pelo PS no distrito de Leiria. Até 2014, desempenhou as funções de chefe de representação da Comissão Europeia em Portugal.