Um bisneto do penúltimo czar Alexandre III, da Rússia, morreu numa pequena cidade no interior da Austrália. O seu nome era Leonid Kulikovsk, tinha 72 anos e não teve direito às extravagâncias de um funeral russo. Pelo contrário: Leonid acabou esquecido, de tal modo que os seus restos mortais permaneceram dois meses na morgue porque as autoridades não conheciam a sua identidade, revela o The Telegraph.

Leonid Kulikovsk era um engenheiro aposentado, que morava sozinho, num parque de caravanas, e que perdeu a vida perto de casa num parque em Katherine, depois de um enfarte e quando passeava o seu cão, acrescenta o The Daily Beast.

Handmade Software, Inc. Image Alchemy v1.11

O último czar Nicolau II e a família. Créditos: wikipedia

Era também um parente distante da rainha Isabel II e do príncipe Filipe, sendo neto da Grã-Duquesa Olga Alexandrovna, a irmã mais nova de Nicolau II, o cazr que foi assassinado pelos bolcheviques, juntamente com toda a sua família, depois da revolução russa de 1917 que levou os comunistas ao poder. O Telegraph conta que a sua identidade só foi descoberta depois de um chefe da Igreja Ortodoxa da Rússia na Austrália ter visitado Moscovo e ter informado que um membro da família Romanov tinha morrido.

avó e neto

Leonid ainda adolescente com a avó, a Grã-Duquesa Olga. Créditos: Lugankatoday

Leonid Kulikovsk viveu na Dinamarca até que se mudou para Sydney, em 1967, mas passou ao lado da linhagem real. O irmão do bisavô de Leonid foi o príncipe William da Dinamarca, cujo filho era Andrew, príncipe da Grécia e da Dinamarca – o pai do príncipe Filipe, duque de Edimburgo. A irmã da sua bisavó era esposa do Rei Eduardo VII, o bisavô da Rainha Isabel II.

Depois de se reformar, Leonid decidiu viajar por toda a Austrália numa caravana, decidindo ficar a morar em Katherine, onde era conhecido como o “Velho Nick”, uma possível referência ao seu parente Nicolau II.

“Ele disse que tinha feito alguns amigos em Katherine e estava feliz aqui. Amava o cão e cuidava muito bem dele. Costumava ler muito e tinha um enorme número de livros sobre os Vikings “, revelou o proprietário do parque de caravanas onde Leonid vivia, Peter Byers.