A banda californiana Eagles of Death Metal quer ser a primeira a atuar na sala de espetáculos francesa Bataclan, quando o local for reaberto ao público, disse em entrevista o vocalista do grupo, Jesse Hughes. Sobre o futuro da banda Hughes não tem dúvidas: quer voltar a Paris.

“Eu quero ser a primeira banda a tocar no Bataclan quando ele reabrir”, disse.”Eu estava lá quando a sala ficou em silêncio. Os nossos amigos foram ver o Rock and Roll e morreram. Eu lá voltar e viver”, acrescentou, revelando que todos os companheiros da banda querem continuar a fazer música. 

“A música é o que nós fazemos, é a nossa vida e não há nenhuma forma de não continuarmos a fazer isso”.

O Bataclan foi um dos vários alvos do ataque terrorista ocorrido em Paris no passado dia 13 de novembro. Na sala de espetáculos, no centro de Paris, morreram 89 das 130 pessoas, vítimas dos terroristas.

Os membros da banda Eagles of Death Metal contaram à revista Vice, que divulgou esta quarta-feira a versão completa da entrevista, os detalhes dos momentos angustiantes que viveram dentro do Bataclan, como escaparam e como é que os ataques vão afetar o futuro da banda.

O guitarrista da banda, Eden Galindo, o co-fundador e vocalista, Jesse Hughes e ainda o baterista, Julian Dorio, conseguiram sair da sala através de uma porta lateral quando os tiros começaram a ser disparados.

Jesse Hughes, visivelmente emocionado, contou que várias pessoas, algumas bastante feridas, se esconderam nos camarins tentando com várias cadeiras barricar a porta, em vão, já que os terroristas mataram toda a gente que lá estava, exceto um miúdo que se escondeu debaixo do casaco de cabedal de Hughes. 

Antes de conseguirem fugir revelam que sentiam os tiros cada vez mais próximos, que duraram mais de 10 minutos. O alívio era grande quando os tiros paravam, mas durante pouco tempo, já que no momento seguinte começavam outra vez, até o homem-bomba se ter feito explodir.

O engenheiro de som, Shawn London, recordou que conseguiu ver o atirador, que olhou para ele e que começou a disparar, não conseguindo, contudo, acertar-lhe. Nesse momento deitou-se no chão, juntamente com todos aqueles que estavam à sua volta, à espera que os tiros parassem.

“O atirador continuou a atirar e a atirar e a gritar ‘Allahu akbar”. E foi aí que eu soube imediatamente o que estava a acontecer “, disse London, que conseguiu escapar e ainda levar consigo uma rapariga ferida, que tinha sido baleada nas pernas.

“As pessoas fingiam-se de mortas e estavam com tanto medo – um grande motivo por que tantos tenham sido mortos foi porque tanta gente não deixava os amigos. Várias pessoas se colocavam à frente de outras para as proteger”, disse Hughes.

A banda elogiou o heroísmo das pessoas que arriscaram as suas vidas e outras tantas que morreram a tentar salvar os amigos, acrescentando que não existem palavras suficientes para reconfortar todos aqueles que neste momento estão a sofrer. 

U2 vão a Paris em dezembro

A banda irlandesa U2 cancelou os concertos marcados para os dias 14 e 15 de novembro, logo a seguir aos atentados de Paris, mas ainda quer refletir o “espírito indomável” da capital parisiense, conta o El Pais.

“O que aconteceu em Paris na trágica noite de 13 de novembro é insubstituível. Numa noite, os assassinos levaram vidas, a música, a tranquilidade. Mas não conseguiram roubar o espírito desta cidade”, afirmou o vocalista da banda Bono, através de um comunicado.

Por isso, nos dias 6 e 7 de dezembro, os U2 vão atuar na capital francesa. O concerto de dia 7 vai, inclusivamente, ser gravado e transmitido no mesmo dia pela HBO.