Os bancos portugueses Novo Banco, BPI e Caixa Geral de Depósitos têm, no seu conjunto, uma exposição de 75 milhões de euros à empresa de renováveis espanhola Abengoa, que está em risco de falência.

De acordo com um documento ao qual o jornal espanhol Expansión teve acesso, são mais de 200 as entidades financeiras de todo o mundo com exposição à Abengoa, num montante total de 20,2 mil milhões de euros.

A lista indica que o Novo Banco tem uma exposição à Abengoa de 55 milhões de euros, a Caixa Geral de Depósitos 10 milhões e o BPI outros 10 milhões de euros, segundo dados de setembro.

Entre a banca espanhola, destaque para o banco espanhol Santander que surge como o segundo maior credor da Abengoa, com 1.550 milhões de euros, o Bankia (582 milhões de euros), o maior acionista do BPI, o Caixabank (570 milhões de euros), o Sabadell (385 milhões) e o Banco Popular, com 330 milhões de euros.

O maior credor é o Federal Financing Bank. O banco estatal americano, que depende do secretário de Estado do Tesouro (ministro das Finanças), tem uma exposição de 2200 milhões de euros. Cerca de 40% da exposição do setor bancário à Abengoa corresponde ao financiamento de projetos, sobretudo na área das renováveis. 

Essa é alias a origem do financiamento do banco estatal americano que está envolvido nos projetos da Abengoa nos Estados Unidos, em particular nas mega centrais fotovoltaicas de Solana e Mojave, cada uma com potência de 280 megawatts, que estão localizadas em Phoenix e a noroeste de Los Angeles. 

O financiamento a projetos na área das renováveis apanhou também o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) brasileiro que financiou unidades de biodiesel no Brasil. A exposição é de 750 milhões de euros. A lista inclui ainda o BTG Pactual, que é um dos principais acionistas da operadora brasileira Oi, com créditos de 415 milhões de euros, e o Crédit Agrícole, o banco francês que perdeu centenas de milhões no colapso do Banco Espírito Santo, e que tem em risco 455 milhões de euros.

A Abengoa pode converter-se na maior falência da história de Espanha. Na quarta-feira, a empresa abriu um procedimento administrativo para proteger os seus credores, na sequência da não concretização de um acordo de investimento por parte da espanhola Gonvarri Corparación Financiera.

Por falta de cumprimento das condições por parte da Abengoa, a Gonvarri retirou o plano para investir 350 milhões de euros na empresa, em troca de 28% do capital da Abengoa.

O grupo andaluz Abengoa emprega mais de 28 mil pessoas em todo o mundo (mais de 6.500 em Espanha).

Na quarta-feira, após ter caído 53,8% em bolsa, a empresa foi afastada do índice Ibex35, da bolsa de Madrid.