Operadores do setor agrário angolano necessitam de pelo menos 24 milhões de dólares em divisas para garantirem a importação de fatores de produção agrícola para a presente campanha e o setor vai ser priorizado na atribuição de reservas.

Para limitar os efeitos da forte crise cambial no país, decorrente da quebra das receitas com a exportação de petróleo, o Governo angolano decidiu criar uma comissão, liderada pelo Banco Nacional de Angola (BNA) e integrando representantes dos ministérios da Agricultura, Pescas e Finanças, para priorizar a entrega de divisas a estes operadores.

“O BNA vai fazer uma venda dirigida e disciplinada aos operadores do setor agrário, por forma a adquirirem no mercado internacional fatores de produção e por via disto dinamizar a produção agrícola no nosso país”, anunciou o secretário de Estado da Agricultura, Amaro Tati.

A medida agora conhecida, foi analisada na 14.ª reunião ordinária conjunta das comissões Económica e da Economia Real do Conselho de Ministros, realizada quinta-feira em Luanda, com a campanha agrícola 2015/2016 em análise.

Estas medidas, explicou o governante, visam precisamente “socorrer a campanha agrícola” angolana, que se iniciou entre setembro e outubro.

“Precisamos de pagar de pelo menos até 24 milhões de dólares [22,6 milhões de euros]de processos já em banco [pedidos de divisas para importar matéria-prima ou máquinas]. Por forma a garantir que a campanha agrícola viva um momento melhor”, apontou Amaro Tati.

As dificuldades provocadas pela quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional desencadearam no último ano uma crise financeira e económica em Angola, também com fortes repercussões no mercado cambial, já que as divisas deixaram igualmente de entrar no país, pela diminuição das exportações de petróleo.

A disponibilização de divisas ao setor agrícola será monitorizada pela comissão liderada pelo BNA e terá de ser validade previamente pelo Ministério da Agricultura.

“Pede-se divisas para comprar fatores de produção para a agricultura. Compra-se tudo menos fatores para a agricultura. E isto é mau”, advertiu o secretário de Estado, Amaro Tati.

O Governo angolano estima para 2016 um crescimento do setor da agricultura a rondar os 4,6%, com destaque para a reavaliação da produção esperada nos perímetros irrigados do Caxito Rega, Bom Jesus, Calenga, Mucosso, suportado pelo aumento da produção de cerais, raízes e tubérculos, leguminosas e oleaginosas, frutas e hortícolas.