A profissão nem sempre foi vista com bons olhos. Não é por acaso que a expressão “advogado do diabo” surgiu nos dizeres do dia-a-dia – e ainda por cá permanece. Não vou falar-lhe desses advogados do diabo, que defendem arguidos com crimes quase indefensáveis, mas de advogados em processos que não lembram nem ao diabo.

É que muitas das causas defendidas são mesmo impossíveis de defender. Como a da jornalista húngara, Petra Laszlo, que pontapeou um refugiado sírio na fronteira com a Sérvia. O refugiado processou-a, Petra foi despedida, mas resolveu, não processá-lo de volta, mas processar o Facebook. Porquê? Porque, e quem o disse foi Petra Laszlo numa entrevista ao jornal russo Izvestia, “o Facebook não eliminou grupos criados na rede social que me ameaçavam, mas apagou outros que me apoiavam”.

Petra não figura nesta lista do El Confidencial, mas figuram outros processos tão ou mais tresloucados. Eis seis:

  • Jennifer é tia de Sean. E como boa tia que é, foi ao aniversário do sobrinho. O petiz, mal viu a tia chegar à sua festinha de 12 anos, correu na direção dela, derrubando-a. Tombaram os dois. Mas enquanto Sean ficou bem, a tia Jen não: partiu o pulso. E processou-o. O valor da indemnização? 120 mil euros. Jennifer acusou o sobrinho de ser “negligente e descuidado”. O juiz que julgou o caso demorou pouco mais de 20 minutos a deliberar. E deliberou que tudo se tratava de um “disparate”. Jennifer Connel, nova-iorquina de 54 anos, acabou mais tarde por admitir que só avançou para o tribunal porque foi pressionada pela sua seguradora a fazê-lo.
  • Todd Kirkpatrick é larápio. Não há como dizê-lo de outra forma. O seu currículo no crime, como assaltante, fala por ele. Em 2012 resolveu assaltar novamente, no caso um banco em Snohomish, no Estado de Washington. O assalto não correu como Kirkpatrick terá planeado, teve que esgueirar-se de lá mal deu de caras com um polícia local, mas, na fuga, deu de caras com outro: Dan Scott. O agente, ao vê-lo correr na sua direção, disparou. Kirkpatrick não morreu, mas foi transportado para o hospital, seguindo daí, dias depois, para a prisão. O curioso nisto tudo é que o ladrão processou o polícia por tentativa de homicídio. O caso continua a correr na justiça, mas, entretanto, o agente Scott foi agraciado com o título de “Agente do Ano”.
  • Uma cerveja não é somente uma cerveja. Não no Missouri. Eu explico-lhe: a cervejeira Anheuser Busch, norte-americana que criou a Budweiser, comprou em meados de 2012 a marca alemã Beck’s, fabricada desde o ano da graça de 1873 precisamente na Alemanha, em Bremen. Mas desde que foi adquirida, passou a ser fabricada, desde a fermentação ao engarrafamento, na fábrica norte-americana da Anheuser Busch e não em Bremen. Mas ninguém avisou os sommeliers da cerveja. E degustador que é degustador não gosta de não ser avisado. Tanto que houve quem processasse Anheuser Busch e esta teve que pagar 50 dólares a cada cliente. A fatura não ficou barata ao fim de tantas “rodadas”: 3,5 milhões de dólares.
  • Conhece alguém que se tenha “processado” a si mesmo? Não? Nem nós. Mas Barbara Bagley, norte-americana do Utah, fê-lo. Mais ou menos. Barbara ia a conduzir o seu Range Rover no Nevada quando se despistou. O marido, que viajava no lugar do pendura, foi projetado e morreu no local do acidente. Barbara teve de responder em tribunal e deu-se como culpada por homicídio negligente. Mas a trama da história é mais complexa do que aparenta ser. Alegadamente, Barbara não se culpabilizou por ter um tremendo peso na consciência. Barba culpabilizou-se para que a família do falecido fosse indemnizada pela seguradora. E quem é a família do falecido? Exato: a viúva Bagley. O caso ainda está a correr nos tribunais do Nevada.
  • A Mila Kunis conhecemo-la, por exemplo, por ter sido nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz Secundário no filme “Black Swan”, de 2010. E é também a voz de Meg, em “Family Guy”. O que não sabíamos de Mila é que também tem (ou tinha) tendências cleptómanas. É que a cantora Kristina Karo, amiga de infância de Mila Kunis, está a processar a atriz de origem ucraniana por esta lhe ter roubado, enquanto crianças, a galinha que tinha como animal de estimação. Kristina exige cinco mil euros a Mila pelo “sofrimento emocional” que esta lhe causou. O dinheiro não é muito. Mas a divulgação que Kristina Karo está a ter é… demasiado.
  • Os cães ladram, mas a caravana passa, não é? Neste caso não. Não neste bairro a norte de Seatlle. Woodrow Thompson processou a vizinha Denise Norton porque o cão de Denise tem, alegadamente, um “super latido”. Woodrow, que até tem vidros duplos, diz que o cão ladra que se desalma, noite e dia, e ladra tão, mas tão alto que Woodrow Thompson resolveu medir os decibéis do latir do rafeiro: são 128. Não é coisa pouca. Denise Norton não compareceu na primeira audiência por achar que era “uma brincadeira de mau gosto”. Mas acabou por ser condenada a pagar 500 mil dólares ao vizinho e corre agora o risco, uma vez que não tem como pagar-lhe, de ficar sem a casa (para ela e para o cão). O desordeiro chama-se Cawper.