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Pelo menos 25 cidades espanholas manifestam-se este sábado “contra o terrorismo, contra a islamofobia e contra as suas guerras”, numa altura em que a ameaça terrorista se acentua na Europa. O manifesto, chamado #NoEmNuestroNombre (não em nosso nome), é contra os bombardeamentos na Síria. No Reino Unido, mais de quatro mil pessoas também saíram à rua.

Barcelona, Sevilha, Saragoça, Corunha e Bilbao são algumas das 25 cidades onde estão agendadas manifestações durante todo o dia. De acordo com a agência espanhola EFE, às 12h00 estavam concentradas mil pessoas em frente ao Museu Rainha Sofia, em Madrid.

Para além destes eventos, existe uma petição online já com 34 mil assinaturas cujo principal objetivo é impedir que a resposta às ameaças se faça com mais violência. “Se a resposta à barbárie passa por suspender direitos, cortar liberdades e fechar-nos em casa, a vitória do terrorismo será total”, pode ler-se no texto, lançado por cidadãos e autarcas, como Ada Colau de Barcelona e Joan Ribó de Valência, e Teresa Rodríguez, uma dirigente do partido Podemos na Andaluzia.

O ator Alberto San Juan defende que a iniciativa também é contra a militarização de Espanha, país cuja população, disse, citado pela EFE, é contra a guerra, mas que poderá ver tropas partirem para uma eventual intervenção militar. O presidente francês, François Hollande, tem estado em contactos diplomáticos para tentar assegurar uma coligação internacional contra o Estado Islâmico, mas do lado espanhol não existe ainda uma resposta definitiva.

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“Se à dor pelas vítimas inocentes se responde provocando mais dor a outros inocentes, a espiral será imparável”, alertam, sobre as intervenções na Síria que podem matar muitos civis. “Nos somos os civis mortos nos atentados de Paris, somos os civis mortos no 11 de Março, somos os civis mortos no bombardeamento francês sobre Raqqa, somos os civis mortos em Gaza, em Trípoli, em Bagdade”, disse o ator.

“As decisões, como em qualquer coisa na vida, têm de ser pensadas”, disse Mariano Rajoy, que vai a eleições no dia 20 de dezembro, acrescentando que está em conversações com os aliados e espera “que um plano seja aprovado”.

LONDON, ENGLAND - NOVEMBER 28: "Peace" balloons float up amongst "Don't bomb Syria signs" outside Downing Street against the possible British involvement in the bombing of Syria at Downing Street on November 28, 2015 in London, England. UK anti-war organisation, Stop the War Coalition, organised the protest in response to the proposed vote in Parliament by David Cameron to involve British forces in the bombing of ISIS targets in Syria. A similar protest in February 2003 against the British involvement in Iraq attracted a reported 2 million people to the streets of London. (Photo by Chris Ratcliffe/Getty Images)

Os manifestantes passaram perto da residência oficial do primeiro.ministro inglês, em Londres. © Chris Ratcliffe/Getty Images

Nas vésperas de o Parlamento inglês votar sobre este tema na próxima semana, no seguimento de um pedido do primeiro-ministro britânico, David Cameron, cerca de quatro mil pessoas manifestaram-se pela paz. De acordo com a Lusa os protestos foram organizados em conjunto com Espanha no sentido de impedir que o Reino Unido se envolva militarmente na ofensiva contra o autoproclamado Estado Islâmico, que a França está a organizar.

“Este é um conflito que não pode e não vai ser resolvido através de bombardeamentos”, disse o líder da Coligação Stop The War, que substituiu no cargo o agora líder dos trabalhistas britânicos, o maior partido da oposição, Jeremy Corbyn.