Governo

António Vitorino diz que compromissos europeus são teste para o Governo

Para Vitorino, António Costa terá de provar que consegue conciliar as reuniões de terça-feira com o BE e com o PCP com as reuniões do Conselho de Ministros à quinta.

Natacha Cardoso / Global Imagens

António Vitorino considerou este domingo que o grande desafio para o Governo é conciliar a sua visão europeia com as reivindicações da sua base parlamentar de apoio, mas avisou a coligação PSD/CDS de que não basta estar contra o Governo.

“O teste será tanto para o Governo, que terá de conciliar a sua base de apoio com os compromissos, como para a coligação, que estando interessada em voltar ao poder não pode ser indiferente à maneira como se cumprem os compromissos europeus”, afirmou o antigo comissário europeu, avisando que a coligação “não deve começar já a rir”, pois “não basta responder que o Governo é ilegítimo”.

“Acham que a coligação é indiferente ao aumento da procura interna?”, questionou António Vitorino, sublinhando que esse aumento tem que ser um elemento também do crescimento económico e que o limite são os critérios do euro.

Para o socialista, o novo Governo liderado por António Costa terá de provar “que é possível garantir continuidade nesse tal Conselho de Ministros das terças-feiras com um Conselho de Ministros às quintas-feiras que está em linha com os objetivos do euro”.

António Vitorino falava durante a conferência “Crise política”, que juntou no mesmo painel Henrique Neto, António Vitorino, António Ramalho e André Gorjão Costa e que este domingo encerrou o Fórum Empresarial do Algarve, que decorreu num hotel em Vilamoura, sob o tema “2020, Portugal e o mundo”.

Já o candidato presidencial Henrique Neto mostrou-se discordante de um modelo de crescimento assente na procura interna, afirmando recear que possa não funcionar e apontando o aumento das exportações como a solução mais viável para o crescimento económico.

Segundo António Vitorino, a situação de instabilidade política a que se assistiu nos últimos dias em Portugal é “típica” de um sistema semipresidencial, em que quando não existe convergência entre o Presidente da República e o parlamento é criada uma situação de atrito.

Considerando que o sistema institucional “reagiu bem” à situação de crise e que o país vive agora uma situação de “stresse pós-traumático”, o socialista atribuiu o definhamento da democracia representativa à incapacidade de reformar o sistema eleitoral.

“O resultado hoje é que nós assistimos a um definhamento da democracia representativa por incapacidade de reformar o sistema eleitoral e vamos ser objetivos: com esta composição parlamentar, como dizem os espanhóis, “ni hablar” [nem falar]”, afirmou.

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