A Agência Internacional da Energia Atómica (OIEA) assegurou hoje que o Irão tentou desenvolver uma arma nuclear antes de 2003, mas abandonou a intenção depois de 2009.

Num relatório sobre as possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irão, a agência especializada da ONU refere que, antes de 2003, aquele país realizou uma série de atividades relevantes para o desenvolvimento de uma bomba nuclear, mas “não há indicações” de que as atividades tenham continuado para lá de 2009.

Os técnicos da OIEA, que investigaram o programa nuclear iraniano durante mais de 12 anos, asseguraram também que aquelas atividades ocorreram no “âmbito de um esforço coordenado”.

Segundo a OIEA, aquelas atividades “não avançaram mais além do que estudos científicos e de viabilidade e de aquisição de certas competências e capacidades técnicas relevantes”.

“A OIEA não tem indicações credíveis de atividades relevantes no Irão para o desenvolvimento de um arma nuclear desde o ano de 2009”, sublinha o documento de 15 páginas.

“A agência não encontrou indicações credíveis sobre o desvio de material nuclear em relação com possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irão”, acrescenta o relatório.

A agência especializada da ONU salienta também que não encontrou “indícios de um ciclo de combustível nuclear não declarado no Irão”.

O relatório da OEIA é um documento chave para que a Junta de Governadores da agência dê um visto verde a 15 de dezembro e ponha em marcha o histórico acordo atómico assinado entre o Irão e as seis grandes potencias (Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha).

Segundo o tratado, assinado em Viena, o Irão comprometeu-se a reduzir e limitar as capacidades nucleares durante o período entre 10 e 15 anos, em troca de um levantamento das sanções internacionais.

Para que o tratado possa entrar em vigor é necessário uma avaliação final da OIEA sobre as possíveis dimensões nucleares do programa nuclear iraniano.