O acordo com a NOS para a venda dos direitos televisivos está a fazer as ações da SAD benfiquista dispararem pelo terceiro dia consecutivo. Os títulos sobem quase 10% para 1,475 euros esta quinta-feira, o que reflete uma valorização de quase 50% face aos 96 cêntimos a que negociavam no final da semana passada. Em relação à NOS, contudo, os analistas estão apreensivos face ao valor “inflacionado” pago pelos direitos televisivos.

Com cerca de 33 mil títulos negociados até ao momento, as ações do Benfica estão no valor mais elevado desde maio e têm vindo a beneficiar da corrida pelos direitos televisivos dos jogos da equipa da Luz. Uma corrida que aqueceu subitamente nos últimos dias mas que levou a um acordo que pode significar 400 milhões de euros para a SAD benfiquista se o acordo durar os 10 anos máximos previstos.

Ações do Benfica em máximos desde maio

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Já as ações da NOS estão a subir muito ligeiramente – 0,08% – com vários analistas a falarem de um preço inflacionado pago pela operadora de telecomunicações. “Foi um negócio surpreendente que lança um novo paradigma no mercado português”, escrevem os analistas do BPI, acrescentando que “o custo associado a estes direitos representa uma inflação significativa face ao que era o padrão no mercado português”. Também os analistas da Haitong, segundo o Jornal de Negócios, falam num preço “inflacionado”.

Os jogos do campeonato que o Benfica realize no Estádio da Luz vão ser transmitidos pela NOS a partir de 2016/17. A operadora de televisão anunciou ao final da tarde desta quarta-feira que o contrato tem “uma duração inicial de três anos”, revelando que pagará 400 milhões de euros aos encarnados, em “montantes anuais progressivos”.

A operadora, que é controlada pela Sonae de Paulo Azevedo e Isabel dos Santos, conseguirá assim a exclusividade total de transmissão dos jogos caseiros do Benfica no campeonato. Isto porque, além de garantir os direitos dos encarnados, o acordo comunicado pela NOS prevê também “a cessão dos direitos de transmissão e distribuição do Canal Benfica TV”. O documento não especifica se aos direitos relativos à Benfica TV se aplica um regime de exclusividade.

Os analistas do BPI Research dizem que “ainda temos algumas dúvidas se a NOS conseguirá usar este conteúdo em exclusividade, o que ajudaria a rentabilizar estes direitos”. Caso contrário, “este negócio irá diluir as margens para a NOS, já que a história recente em Portugal mostra como é difícil rentabilizar direitos televisivos em Portugal”, alerta o BPI.