São oito páginas de texto para justificar o porquê da rejeição da direita ao novo Governo de António Costa. PSD e CDS tecem duras críticas ao “acesso de radicalismo ideológico e desorientação programática” do PS e lembram que, na Grécia, essa radicalização conduziu a um terceiro resgate. E para isso, afirmam que, enquanto “partidos moderados”, têm de se “opor” ao “processo de radicalização em curso”.

“Os partidos moderados do sistema político nacional têm o dever perante os portugueses de se opor a este processo de radicalização em curso que está a tornar Portugal refém de agendas ideológicas sectárias desfasadas da realidade, em que os Portugueses não se revêem”, escrevem, acrescentando que se romperam “as práticas e convenções que sustentaram a nossa democracia e abriu-se um horizonte de radicalização, através da deslocação do PS para as mãos dos partidos assumidamente extremistas, que assim capturaram a definição, no modo e no tempo, da estabilidade do Governo e de Portugal”.

Referindo-se particularmente ao PCP – e seguindo aliás o que foi a estratégia de Paulo Portas no debate -, os partidos do anterior governo lembram que os portugueses no dia 4 de outubro “quiseram dar continuidade ao projecto democrático de 40 anos de uma sociedade europeia, ocidental, atlântica”, já que mais de 70% dos eleitores votaram em partidos europeístas e pró-Nato, que é como quem diz que esses 70% não votaram em “projetos políticos radicais e revolucionários de partidos como o PCP e Bloco de Esquerda”.

E terminam o texto enumerando um conjunto de aspetos que, dizem, “este governo se prepara para pôr em causa e estragar”. Entre eles, as “contas certas e estabilidade financeira”, a sustentabilidade e competitividade económica, a criação de emprego, a “verdadeira economia social de mercado” ou as “reformas estruturais”.

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Assim, declarada a grave ruptura aberta pelo PS na sequência dos resultados eleitorais de 4 de outubro; exposta a conduta política que o PS adoptou no processo de formação do novo governo; reafirmado o processo de radicalização ideológica em curso no PS, com consequências para o sistema político no seu todo e para a sociedade em geral; apresentado um conjunto de opções programáticas perigoso e aventureiro, que compromete a recuperação e modernização do País; e sabendo que os Grupos Parlamentares não dispõem de uma maioria absoluta de deputados para fazer aprovar esta moção, pelo que ela adquire valor político de testemunho, clareza e registo para futuro.

Os Grupos Parlamentares do PSD e CDS-PP, em coerência com os seus compromissos eleitorais e com o dever inalienável de representar as aspirações do povo português, na via da moderação, do gradualismo e da sintonia com a Europa, declara a sua oposição à prossecução do caminho apresentado pelo PS, com o apoio do Bloco de Esquerda, do PCP e do PEV neste debate”, escrevem.

A moção vai ser votada esta tarde, contanto com os já anunciados votos contra do PS, PCP, BE e Verdes, que perfazem um total de 122 deputados. Apenas os 107 deputados do PSD e CDS votarão a favor da rejeição do programa de Governo.