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No primeiro dia deste mês de dezembro de 2015, Scott Kelly já contava 248 dias no espaço. O austronauta que trabalha na National Aeronautics and Space Administration (NASA) desde 1996 já participou em várias atividades além-atmosfera. Quem segue de perto a exploração espacial sabe qual é uma das missões do norte-americano: em março do próximo ano vai ser o protagonista da permanência mais longa de um ser humano no espaço.

Scott Kelly estava a bordo da Estação Espacial Internacional quando decidiu desejar uma boa noite à Terra. Olhou pela janela e tirou uma fotografia ao planeta, visto a cerca de 400 quilómetros de altitude. O que fotografou acalentou portugueses e espanhóis: Scott Kelly publicou uma imagem das luzes da Península Ibérica no Twitter com a descrição “Espanha e Portugal a brilharem depois de escurecer”.

As fotografias de Scott Kelly não passam despercebidas. Já fotografou as ruas de Pequim à noite, sítios peculiares da Austrália, as auroras boreais do Círculo Ártico e os furacões ameaçadores. Tudo lá de cima. E estes são apenas alguns dos exemplos das quase 1.000 fotos fascinantes do astronauta com 680 mil seguidores no Twitter.

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Se as imagens são de cortar a respiração, o desafio que Scott Kelly aceitou em 2013 a convite da NASA também é de perder o fôlego: o astronauta norte-americano trabalha a par da cosmonauta Mikhail Kornienko para entender o funcionamento do corpo humano numa situação de gravidade zero.

Enquanto Scott vagueia no espaço e é submetido a vários exames, o seu irmão gémeo Mark – também ele astronauta – vai passar pelos mesmos testes. Desta forma, os médicos da NASA vão estudar o impacto da falta de gravidade nos ossos, nas veias, na mente e na flora intestinal de quem partilha genes.

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Raios cósmicos são feixes de partículas altamente energéticas que penetram os corpos vindos do espaço sideral (parte do universo profundo em vácuo) à velocidade da luz. Os raios cósmicos secundários chegam à Terra e não constituem perigo para a saúde, mas os primários – que atingem os astronautas no espaço – podem ser prejudiciais.

Além disso, os cientistas querem descobrir quais as consequências da exposição aos raios cósmicos no material genético. Os teóricos afirmam que esses raios podem diminuir a esperança de vida por acelerarem a degradação dos telómeros, que são partes dos cromossomas responsáveis por manter a sua estabilidade. Os cromossomas têm formato de um X e os telómeros encontram-se nas suas extremidades. Além de manterem a estrutura da sequência de ADN, podem (não há certezas) estar envolvidas no processo de envelhecimento porque encurtam-se de cada vez que as células se replicam e o ADN é copiado para a nova célula.

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Quando pediam a Einstein, o autor da Teoria da Relatividade Geral, que a explicasse resumidamente, ele dizia: “forçado a sumarizar a teoria da relatividade geral numa frase, diria o tempo, o espaço e a gravidade não têm existência separada da matéria“.

Scott vai chegar à Terra mais velho do que o seu gémeo Mark porque o seu ADN se vai degradar mais rapidamente, acreditam os cientistas. Mas será mais novo, em termos de idade, porque para o astronauta na Estação Espacial o tempo vai passar 3 milissegundos mais devagar do que para o irmão na Terra. Este fenómeno causado pelos efeitos da força da gravidade já tinha sido previsto por Einstein, na famosa Teoria da Relatividade Geral. Neste caso, chamam-he “paradoxo dos gémeos”. O que Mark Scotty explicou ao The Guardian é que “o tempo vai passar mais devagar para o Scott porque ele vai estar a viajar a uma maior velocidade relativa do que eu”.