“Só porque o meu caminho é diferente, não quer dizer que esteja perdido”; “Chega de expectativas. Deixe-se levar e o que acontecer, aconteceu” – quão inspiradoras são estas frases? Cuidado com a resposta. É que um novo estudo alega ter encontrado uma ligação entre quem se sente inspirado por citações deste género com baixos índices de inteligência.

Uma equipa de investigadores liderada por Gordon Pennycook da Universidade de Waterloo no Canadá refere que as pessoas recetivas a sonoridades pseudo-profundas e intelectuais são menos inteligentes e mais suscetíveis a acreditar em teorias conspiratórias e na medicina alternativa e paranormal.

O estudo foi publicado com o título “Na recepção e percepção de pseudo-profundos bulls **“. O Telegraph explica que a expressão ‘bulls***’ (tanga, na tradução mais suave), aparece mais de 200 vezes no trabalho e serve para indicar citações e expressões ditas profundas, visto que este é um conceito difícil de definir com uma só expressão. No fundo significam grandes declarações sonoras que não significam nada e que muitas pessoas publicam nas redes sociais.

Utilizando um site que gera estas frases pseudo-profundas através de um conjunto de palavras, foi proposto a quase 300 cobaias que avaliassem a profundidade destas afirmações numa escala de um a cinco. De seguida os investigadores debruçaram-se noutros traços de personalidade, examinando como os voluntários olhavam para si mesmos e para o mundo em geral.

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Assim, a equipa concluiu que aqueles que era mais recetivos aos tais ‘bulls***’ e que os classificavam com avaliações mais altas eram “menos reflexivos”e  apresentavam uma “menor habilidade cognitiva (isto é, na inteligência verbal e aritmética) e maior propensão a confusões ontológicas e de idealizações conspiratórias”. Para além disso os investigadores referem que estas pessoas têm maior probabilidade de formar “crenças religiosas e paranormais e de aprovar medicina complementar e alternativa”.

Ou seja, e como conclui a investigação os “nossos resultados são consistentes com a ideia de que a tendência para avaliar, declarações vagas e sem sentido como profundas é um fenómeno psicológico legítimo que está constantemente relacionado com, pelo menos, algumas varáveis de interesse teórico.”