Os polícias da União Europeia (UE), agrupados na confederação sindical Eurocop, reclamam mais coordenação, uma formação estandardizada e mais meios para poderem enfrentar as novas ameaças do crime organizado e do terrorismo jihadista.

Estas reivindicações foram avançadas à agência Efe pela recém-eleita presidente da Eurocop, a agente espanhola Angels Bosch, escolhida para representar uma confederação que agrupa 35 sindicatos de 27 países representativos de cerca de 500.000 agentes. Segundo Bosch, estas são as reivindicações mais urgentes na sequência dos atentados jihadistas de que foram alvo países comunitários como a França e das crises migratórias que afetam as fronteiras europeias.

“Nós vamos aos sítios de onde todos fogem”, afirmou, considerando que os agentes devem, por isso, dispor de “condições dignas” de trabalho, até porque é obrigação dos governos “proteger os que protegem os seus cidadãos”.

Apesar das diferenças existentes entre as forças policiais dos vários países, foram identificados problemas comuns que afetaram as forças de segurança durante a crise económica, incluindo as dos países mais favorecidos. Acima de tudo, salientou Bosch, a crise levou a uma redução dos efetivos em praticamente todos os países.

Quanto ao equipamento, as diferenças entre as forças policiais dos vários Estados são consideráveis, pelo que a Eurocop reclama meios estandardizados, como é caso dos coletes anti balas para todos os efetivos e de veículos equipados com as necessárias medidas de segurança.

“Há que investir na segurança”, reiterou Bosch, denunciando também, em nome da confederação a que preside, os baixos salários dos polícias em alguns países como a Grécia, a Bulgária ou a Polónia.

Sustentando que “se não há condições laborais dignas, é mais difícil lutar contra a criminalidade ou a corrupção”, a nova presidente da Eurocop defendeu ainda que a partilha de bases de dados é uma das medidas que pode contribuir para a luta contra o terrorismo jihadista, uma ameaça que levou já as autoridades belgas a colocar a possibilidade de criar uma espécie de CIA europeia.

Adicionalmente, os polícias europeus estão preocupados com a crise migratória que afeta a Europa e reclamam uma maior intervenção por parte da UE, porque “não é justo” que países com menos recursos como a Espanha, Grécia e Itália tenham que tomar a seu cargo estes fluxos. É que, nota Bosch, “na realidade as fronteiras espanholas, gregas e italianas são as fronteiras europeias”.