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Foram publicados um conjunto de documentos internos do Estado Islâmico que revelam a maneira como o grupo terrorista pretende construir o ambicionado Estado no Iraque e na Síria. Este manual representa um autêntico programa de governo, com departamentos governamentais, do tesouro e finanças e ainda um plano económico com o objetivo de manter a auto-suficiência da organização.

O jornal britânico The Guardian teve acesso à documentação de 24 páginas e conta que esta revela o estabelecimento de um modelo de relações internacionais, uma operação de propaganda de grande escala e um controlo centralizado do petróleo, gás e de outras vertentes vitais para a sua economia.

Calcula-se que este manual tenha sido escrito no ano passado na sequência do anúncio do líder jihadista, Abu Bakr al-Baghdadi, que o grupo iria avançar para o califado, proclamando assim a intenção de formar um Estado único com base na verdadeira interpretação da lei islâmica.

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Uma das páginas da documentação agora publicada. THE GUARDIAN

Com base nesta intenção, os documentos especificam como o ‘Daesh’ quer organizar e administrar áreas como a educação, os recursos naturais, a indústria, as relações externas, as relações públicas e os campos militares.

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Um desses exemplos, neste último campo, é o facto de Estado Islâmico ter a intenção de separar os campos de treino entre tropas ativas e combatentes veteranos. Os veteranos devem ir para um curso de duas semanas por ano para receber instruções nas “recentes artes de utilização de armas, planeamento militar e tecnologias militares”. Para além disso está escrito que estes deverão também receber “detalhados comentários sobre as tecnologias do inimigo” e de “como os soldados do estado podem ganhar vantagem sobre eles”.

Este conjunto de textos revela também algo que já vinha a ser relatado nos últimos tempos. Mas agora surge a confirmação de que a organização sempre teve a intenção de treinar crianças com vista ao conflito militar.  Na prática, as crianças devem receber “treino sobre o transporte de armas ligeiras” e os melhores são os escolhidos para serem atribuídas missões de segurança como “postos de controlo ou patrulhas”.

Um empresário que trabalha com o Estado Islâmico divulgou estes documentos através do investigador Aymenn al-Tamimi, que trabalha há mais de um ano para compilar toda a documentação (o The Guardian não revela mais pormenores sobre estes dois homens por razões de segurança). Tamimi afirma por isso que o Estado Islâmico “é um projeto que aspira a governar” e não apenas uma intenção de iniciar uma batalha sem fim.