Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A revista Time já anunciou a famosa shortlist para a personalidade do ano. Sem surpresa, surgem nomes como Angela Merkel, Vladimir Putin e Donald Trump. O maior sobressalto desta lista é a inclusão de Abu Bakr Al-Baghdadi, o líder o Estado Islâmico. Os últimos vencedores foram os homens e mulheres que combateram o Ébola (2014), o Papa Francisco (2013) e Barack Obama (2012).

Ainda que pareça de mau tom ou muito questionável, a escolha de Al-Baghdadi é… coerente. Ora bem, vejamos a origem da “Pessoa do ano” para a Time. Tudo aconteceu pela primeira em 1927, quando a redação percebeu que passou um ano inteiro sem fazer uma capa com Charles Lindbergh, o homem do famoso voo sobre o Oceano Atlântico. Para apagaram o lapso, decidiram fazer dele a capa, fora de tempo, onde lhe chamavam “o homem do ano”.

1927

Charles Lindbergh foi o “Homem do ano” em 1927

Conclusão: para ser a “Pessoa do ano”, esse alguém tem de representar de alguma maneira o ano noticioso. Mais: terá de passar o teste do tempo, ou seja, não ser algo passageiro ou imemorável. Como diz a Time, para explicar a natureza das escolhas, essa personalidade ou movimento (nem sempre é uma pessoa) tem de transmitir uma imagem que demonstre onde está o mundo neste momento e para onde vai. Por isso, por representar um lado da História, ainda que negra e sangrenta, Al-Baghdadi encaixa no perfil de selecionável.

Candidatos a “Pessoa do ano” da Time:

Abu Bakr Al-Baghdadi — Líder do Estado Islâmico, que tem levado a cabo a ocupação de partes do território da Síria e Iraque. O grupo radical tem sido protagonista e inspiração para vários atentados terroristas a nível global.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Vidas Negras Importam (Black Lives Matter) — O movimento protesta contra a desigualdade de tratamento relativamente aos afro-americanos, nomeadamente por parte das forças policiais.

Caitlyn Jenner — É, porventura, o transgénero mais famoso do mundo. Assumiu a mudança de sexo na capa da Vanity Fair e “quebrou a internet”. A sua mensagem promove a igualdade e a identidade da comunidade LGBT.

Travis Kalanick — O diretor executivo da Uber criou um dos negócios mais polémicos dos últimos tempos. E valioso: a sua empresa está avaliada em 64 mil milhões de euros.

Angela Merkel — A chanceler alemã tem estado em destaque, como sempre, na liderança da Europa, nomeadamente no capítulo económico e, mais recentemente, na questão dos refugiados.

Vladimir Putin — O presidente da Rússia ganhou ainda mais peso no mapa geopolítico ao entrar em cena na luta contra o Estado Islâmico, que, acusam muitos analistas e alguns políticos norte-americanos, poderá estar também associada à manutenção de Assad no poder na Síria. A ocupação de alguns territórios da Ucrânia por parte de alegados independentistas russos também terá sido tida em conta para a elaboração desta lista.

Hassan Rouhani — O presidente do Irão tem estado em destaque no tabuleiro de xadrez da diplomacia internacional, ao negociar com os Estados Unidos um acordo nuclear que reduzirá as sanções àquele país.

Donald Trump — O mais polémico candidato à Casa Branca segue na frente das preferências entre os republicanos. As eleições estão agendadas para 2016.