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“Juventude”

Comparado com o brilhante “A Grande Beleza”, o novo filme do italiano Paolo Sorrentino, “Juventude”, passado numas termas de luxo na Suíça, é uma relativa decepção. Está lá o olhar do realizador sobre o mundo, impassivelmente hiperrealista e levemente distanciado, está lá a impecável estilização visual, estão lá as ideias de cinema inesperadas, os súbitos achados insólitos, o gosto pelo grotesco. E estão lá dois imensos actores, Michael Caine no papel de Fred Ballinger, um grande compositor reformado, e Harvey Keitel no de Mick, um célebre realizador que está a escrever um novo filme para a sua actriz favorita, compadres pelo casamento dos respectivos filhos, e que, quais velhos dos Marretas de carne e osso, e entre banhos e massagens, queixam-se das suas maleitas, pasmam para as mulheres mais novas, observam os outros hóspedes, lamentam o tempo, os amores e a juventude perdidos, e o facto de haver grandes nacos das suas vidas de que já não têm a menor lembrança. Tudo isto tem “Juventude”, menos uma história mais substancial e menos afectada e impressionista, onde assentar os pés, o peso do elenco, o cinismo magoado e a melancolia geriátrica.

“Hotel Transylvania 2”

Genddy Tartakovsky, o criador de séries de animação televisivas tão memoráveis como “O Laboratório de Dexter” e “Samurai Jack”, é repetente na realização desta continuação da longa-metragem animada digital “Hotel Transylvania”, que permitiu à Sony “furar”, em 2012, a supremacia da Pixar/Disney e da Dreamworks neste segmento do mercado cinematográfico. A história passa-se sete anos depois da do filme original, o hotel do título já não é reservado apenas a monstros e criaturas sobrenaturais, permitindo também a estadia aos humanos, e Mavis e Johnny têm um filho, Dennis, cuja aparente falta de características vampirescas preocupa o avô Drácula. Tudo se complica ainda mais quando o bisavô Vlad, que continua a detestar humanos, aparece para fazer uma visita. Mel Brooks é uma das novidades nas vozes da versão original de “Hotel Transylvania 2”, que, tal como o primeiro filme, continua a ter bastantes “gags” e piadas a pensar nos adultos mais cinéfilos e apreciadores de cinema de terror em especial.

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“No Coração do Mar”

Ron Howard realiza esta aventura marítima passada no século XIX, no meio baleeeiro norte-americano, que se baseia no facto real em que Herman Melville se inspirou parcialmente para escrever “Moby Dick”: o afundamento, em 1820, no Oceano Pacífico, por uma enorme baleia branca, do navio “Essex”, cuja tripulação ficou à deriva durante várias semanas e teve que recorrer ao canibalismo para sobreviver. Rodado em 3D e adaptando o livro homónimo de não ficção escrito em 2000 por Nathaniel Philbrick sobre este incidente, “No Coração do Mar” é interpretado por Chris Hemsworth, Benjamin Walker, Cillian Murphy, Tom Holland, Brandan Gleeson e Ben Whishaw. “No Coração do Mar” foi escolhido como a estreia da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.