A grande dúvida mantém-se: onde vão passar os jogos do Benfica? Não se sabe. Embora tenha admitido que o cenário Sport TV é possível, o diretor executivo da NOS, Miguel de Almeida, não revelou (ainda) o destino dos jogos da equipa principal do Benfica. O que se sabe é que a BTV passará a ser gratuita e disponível para outras operadoras. A propriedade e os custos de produção do canal continuarão a cargo do clube da Luz. O diretor executivo da NOS referiu ainda que há a intenção de “estabelecer acordos similares com os restantes clubes”, incluindo FC Porto e Sporting.

“Será a NOS a decidir em que canal vão passar os jogos do Benfica”, esclareceu por sua vez Luís Filipe Vieira. “Qualquer que seja a decisão, a NOS irá tratar o Benfica com a mesma isenção e profissionalismo que a Benfica TV teve nestes últimos três anos.”

Miguel de Almeida também não levantou o véu. “Não é possível dizer. É um acordo muito recente, ainda não nos sentámos a falar com outros operadores e outras entidades.” E adiantou: “A nossa intenção é que conteúdos e BTV sejam disponibilizados a outras operadoras. De que forma ou em que canal, é ainda prematuro. (…) O cenário Sport TV é possível, entre muitos outros.”

Certo é que a NOS tentará expandir o negócio. “A nossa intenção e nosso desejo é reforçar as nossas parcerias com clubes. A nossa vontade é estabelecer acordos similares a este acordo com os restantes”, esclareceu Miguel de Almeida.

Depois de se consumar o regresso da Premier League à Sport TV (para a próxima época), Luís Filipe Vieira não quis adiantar o destino das ligas francesa e italiana no canal, dizendo apenas que os canais estarão disponíveis na BTV até 30 de junho, na pior da hipóteses.

O acordo

Como foi avançado no comunicado à CMVM a 2 de dezembro, a parceria prevê uma ligação de dez anos, no valor de 400 milhões de euros, o que significa os tais 40 milhões/ano. Para a época 2016/17 está previsto o pagamento de 36 milhões de euros: 75% pelos direitos de transmissão e 25% pela Benfica TV. O acordo será progressivo.

“Quatrocentos milhões de euros é muito dinheiro em qualquer parte do mundo”, disse o presidente do Benfica. Questionado se, após este salto significativo, não será arriscado estar ligado a uma marca durante dez anos, o presidente do Benfica deu o exemplo do acordo com a Sagres. “Talvez por ter os pés no chão e achar que uma verba de dez anos era muito importante para o Benfica… O tempo veio dar-me razão”, disse, referindo o facto de FC Porto e Sporting jogarem atualmente sem patrocínio nas camisolas.

O dinheiro pago pela NOS não será “para comprar jogadores”, garantiu ainda o presidente dos encarnados. Esses 400 milhões serão “de vez e definitivamente” para pagar o passivo — “para gritar bem alto: o Benfica é nosso.” E explicou a estratégia do acordo, que, disse, é um reconhecimento do valor da marca. “Estabelece um novo referencial para todos os clubes. Ou abríamos capital a operadores internacionais ou mantínhamos propriedade plena do canal e rentabilizávamos os nossos direitos. Optámos pela segunda via: a NOS apareceu, com uma proposta justa que reconhece o valor dos jogos da equipa principal e do nosso canal.”

Faz sentido, agora, recuperar as declarações de Domingos Soares de Oliveira numa entrevista ao Público, em 2008. “O Benfica recebe 7,5 milhões de euros por ano até ao final do contrato e recebeu um prémio de assinatura que fará com que estes valores possam chegar aos oito milhões de euros. Isto é manifestamente pouco. A média nos clubes europeus é de 50 por cento do total de receitas. O Benfica tem um total de receitas, sem venda de jogadores, entre 80 e 100 milhões de euros”, explicou o administrador da SAD.

E foi claro: “O valor justo seria 40 milhões. Depois poderia dizer-se que o investimento publicitário no mercado português é mais baixo. Podemos ter isso em consideração, mas não é certamente os 7,5 milhões que recebemos neste momento.” Ou seja, os números e a meta estão há muito na mente dos responsáveis do Benfica.

Voltando à conferência de imprensa no Estádio da Luz. Luís Filipe Vieira foi depois questionado sobre a venda do naming do Estádio do Sport Lisboa e Benfica. Na terça-feira passada, algumas notícias davam conta de um acordo selado com a Yokohama, a marca japonesa de pneus. Uma fonte oficial do clube, no entanto, negou ao Observador essa realidade, afirmando não haver fundamento. Luís Filipe Vieira preferiu ser enigmático, dando a entender que o negócio da venda do naming está em marcha: “O país é pequeno para a marca Benfica. Outros horizontes iremos ter…”

Os pormenores foram dados numa conferência de imprensa promovida pela NOS e pelo Benfica nesta tarde de quinta-feira em pleno relvado do Estádio da Luz: toda a estrutura diretiva do Benfica e jogadores da equipa de futebol marcaram presença.