Há um monumento português entre os 14 mais ameaçados na Europa. Trata-se do Palácio Valflores, que fica em Santa Iria da Azóia, concelho de Loures. Dos 14 monumentos em risco, serão selecionados os “7 mais ameaçados” de 2016.

A escolha é divulgada pela Europa Nostra, organização europeia do património, representada em Portugal pelo Centro Nacional de Cultura e pelo Instituto do Banco Europeu de Investimento. A seleção dos espaços coube a um painel de especialistas que teve em conta “o notável valor patrimonial e cultural”, “a grave de situação de risco em que se encontra” e “o potencial desses sítios para servir como recurso e motor do desenvolvimento sustentável da região onde estão localizados”, anunciaram os organismos em comunicado. A lista final dos 7 monumentos em grande risco será conhecida em março do próximo ano, em Veneza (Itália).

Além do palácio situado em Loures, estão incluídos nos locais de risco um aeroporto na Finlândia, um convento em Espanha e a Lagoa de Veneza. Eis a lista completa dos 14 monumentos e sítios na Europa dos quais sairão ‘Os 7 mais ameaçados’ de 2016:

– Sítio Arqueológico de Ererouyk e Aldeia de Ani Pemza, Arménia. Ererouyk é um dos locais de culto mais importantes na região. A basílica do século VI está quase em ruínas apesar de alguns restauros nas últimas duas décadas. A aldeia de Ani Pemza foi construída em 1926 e poderia tornar-se um centro de turismo cultural.

– Palácio da Justiça em Bruxelas, Bélgica. O edifício está “subvalorizado” — várias áreas do palácio estão vazias, vários escritórios estão desocupados e outros espaços estão alugados. A ideia é reabilitar o sítio que foi construído no século XIX e desenhado pelo arquiteto belga Joseph Poelaert.

– Fortaleza Patarei em Talin, na Estónia. Construída em 1840, esta fortaleza foi convertida numa prisão entre 1920 e 2005 para presos políticos. Por isso, o sítio ficou marcado como um “espaço de memória” e um símbolo da resistência nacional. Agora, a Fortaleza de Estónia está rapidamente a deteriorar-se devido ao “clima rigoroso” e à “falta de manutenção”.

– Aeroporto Helsinki-Malmi, Finlândia. O aeroporto foi construído a meio de 1930 e é o aeroporto mais concorrido na Finlândia, a seguir ao Helsinki‐Vantaa International. O espaço está em boas condições, mas há um problema: um novo projeto de desenvolvimento propõe que o espaço seja usado para um complexo residencial a partir de 2020.

– Ponte Colbert em Diepe, Normandia, França. Esta é a ultima grande ponte de balanço da Europa a trabalhar com o mecanismo hidráulico original. Ainda é atravessada por 12 mil veículos e 1,800 pedestres todos os dias. Mas a ponte precisa de reparações urgentes.

– Castelo em Divitz, Mecklenburg-Vorpommern, Alemanha. As partes mais antigas do museu datam do século XV. O monumento foi alvo de algumas resstruturações entte 1785 e 1850 e, desde aí, passou por “anos” de negligência. Neste momento está em fraco estado de conservação.

– Kampos de Chios, Grécia. Esta zona inclui edifícios do século XIV ao século XVIII e está sob grande ameaça devido à “incapacidade dos donos para manter as propriedades” de acordo com as regras do Plano Urbano de Chios, de 2008. Os Kampos de Chios são áreas semi-rurais que circundam os limites de Chios. Consistem em mais de 200 propriedades, mansões e igrejas.

– Lagoa de Veneza, Itália. Apesar de estar protegido por vários regulamentos da UE, a lagoa que é reconhecida pela UNESCO como património da Humanidade, enfrenta alguns riscos: o aumento do fluxo de tráfego, erosão do leito do mar, crescente poluição e pesca industrial.

– Castelo Rijswiijk, Província de Gelderland, Holanda. O castelo do século XIV teve pequenas reparações no século XIX e é considerado monumento nacional desde 1966. O monumento está a precisar de reparação urgente devido à rápida deterioração nos últimos anos.

– Y- block, Complexo do Governo, Oslo, Noruega. O H-block é de 1958 e o Y-block é de 1969. Formam um só edifício e foram desenhados pelo arquiteto norueguês Erling Viksjø. O edifício é considerado um dos trabalhos-chave da arquitetura moderna na Noruega. O Y-block é conhecido pelos murais feitos por Pablo Picasso. Em 2011, os ataques do neonazi Anders Breivik atingiram o Complexo de Governo e o governo norueguês decidiu demolir o Y-block. Agora, a organização norueguesa que submeteu a candidatura quer o Y-block de volta.

– Palácio de Valflores, Santa Iria da Azóia, Loures, Portugal. Foi construído entre 1532 e 1558 por ordem de Jorge de Barros, chefe do posto de comércio Português na Flandres. Apesar de ser classificado Monumento Interesse Público, o Palácio encontra-se em avançado estado de degradação. O telhado já teve de ser temporariamente substituído por uma estrutura de proteção metálica e a maioria dos dez arcos e colunas toscanas na fachada sul colapsaram.

Convento de Santo António de Pádua, Extremadura, Espanha. O convento foi durante séculos um ponto de referência religioso e cultural em Espanha. Construído no século XV, a igreja gótica foi classificada como monumento de interesse cultural em 1991. Mas nem por isso está em bom estado.

– Cidade Antiga de Hasankeyf e Arredores, Turquia. O complexo com 12 mil anos está em risco devido a um projeto de energia hidroelétrica a ser implementado naquele espaço. O Hasankeyf é considerado um “museu aberto”, com ruínas romanas e monumentos medievais.

Casa Mavisbank, perto de Edimburgo, Escócia, Reino Unido. Foi construída em 1726 e é um dos trabalhos mais significativos da arquitetura do século XVIII na Escócia. No fundo, é uma vila adaptada às condições do norte da Europa com um bloco central e dois pavilhões. Está em avançado estado de degradação e em risco sério de cair.