Julen Lopetegui está cansado. De perguntas, de dúvidas e, provavelmente, de não ganhar troféus para poder calar os críticos. Esse cansaço muitas vezes dá lugar à ironia. Foi isso que se viu sábado na antevisão deste duelo, quando lhe perguntaram se havia apresentado demissão após a derrota em Londres (0-2 vs. Chelsea): “e matei Kennedy, Manolete…”, disse. Lopetegui não gostou da pergunta e disse que preferia falar apenas no jogo, mas sobra uma questão: quem é Manolete? Então, senhores, Manolete é um ícone de Espanha, um toureiro que foi morto na arena, em agosto de 1947, por um touro. El Matador mereceria um filme, realizado por Menno Meyjes, com Adrien Brody, Penélope Cruz e Santiago Segura no elenco.

Vamos ao futebol. O FC Porto foi à Choupana, mas o jogo não acabou (está agendado para segunda-feira, a partir das 12h30). Quase que venceu, por 2-1, com golos de Marcano (que golo!) e Brahimi. A partida foi interrompida três vezes devido ao nevoeiro, e da última vez seria de vez. Willyan marcou o único golo dos homens da casa. Veja aqui o Live Blog da partida, para saber o filme do que aconteceu na Choupana até à interrupção final.

Os primeiros 14 minutos foram de alto gabarito. Não por ter sido bem jogado, não que tenham havido grandes jogadas ou passes, ou triangulações e defesas. Houve golos, ou melhor, houve dois golos e um super-golo. É que Marcano marcou um golaço à Mancini, logo aos 6′. O central espanhol marcou de calcanhar, depois de um canto de Layún. Claro que não se compara com o golo de Roberto Mancini ao Parma, mas fica a boa desculpa para lembrar esse golo: veja aqui.

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O empate chegou dois minutos depois por Willyan, também depois de um canto. A defesa do FCP foi macia, o cabeceamento do brasileiro desviou ainda em Layún, enganando Iker Casillas. O Nacional, desde início, estava a ser incómodo para os visitantes. Ninguém teria mão neste duelo. Mas o ping-pong continuaria: Brahimi colocaria os dragões na frente novamente, depois de uma jogada aos trambolhões. O argelino começou a jogada, tocando para a esquerda, para Layún. O lateral esquerdo cruzou para o outro mexicano, Corona, ao segundo poste, que falhou o cabeceamento. A bola sobrou para… mais um mexicano, o terceiro, agora era Herrera, que tentou a sorte também, mas nada. Foi Brahimi, depois de alguns ressaltos e confusões, a encostar para a baliza praticamente deserta, 2-1.

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A partir daqui seria sempre a descer. A qualidade, o andamento e o interesse. Nem o toque de bola de Rúben Neves viria ao de cima, nem sequer Brahimi e as suas rotações mágicas, muito menos a pontaria de Aboubakar. Nada. Do outro lado, a equipa visitada, ia mostrando coração, mas pouco acerto e rigor. Até ao intervalo, fica por registar apenas a substituição de Danilo, que ficou tocado depois de um choque com Ali Ghazal, após o golo de Marcano. Entrou Imbula, que teima em não confirmar tudo o que se espera dele. E ele tem tudo: pedalada, corpo e pés. Lopetegui deve suspirar sempre que vai visitar os seus vídeos no YouTube.

A segunda parte seria terrível. Não pelo arranque do Nacional, que voltou a ser de alta voltagem. Velocidade, vontade, cruzamentos e alguns lances de perigo colocaram a baliza de Iker Casillas em xeque. Mas não se veriam mais golos. Bom, não se veria mais quase nada. É que o tradicional nevoeiro da Choupana voltou a pregar partidas a esta gente da bola. Foram três as interrupções. Lopetegui andou de um lado e para o outro, desesperado, com os braços abertos, sentindo-se impotente. O basco não via o que se estava a passar, não conseguia meter o olho no campo inteiro, o que não ajuda muito ao trabalho de treinador.

Ficam algumas notas de destaque, como o mau momento de Aboubakar, que falhou, entre outras coisas, um golo que há pouco tempo faria com os olhos fechados. Layún esteve nos dois golos dos homens da Invicta, mas saiu depois do intervalo, após algumas investidas do Nacional por aquele corredor (entrou Maicon, Indi colou à esquerda). Rui Silva esteve bem na baliza do Nacional, afastando um ou outro lance com qualidade. Salvador Agra, ao seu estilo, costuma ser o jogador que dá mais andamento à coisa, e assim foi em algumas jogadas. Do outro lado, o dos visitantes, o meio-campo esteve muito discreto. Brahimi começou bem, mas foi caindo. Estava muito vento, o nevoeiro apareceu e o relvado estava complicado, por isso nunca seria um jogo fácil para os senhores da técnica.

O FC Porto está perto de voltar a vencer na Madeira, algo que não acontece desde 2013: empate e derrota nas últimas duas deslocações à Choupana. A última vez que o FCP ganhou por 2-1 na Choupana foi em 2006: até começou a perder, com golo de José Vítor, mas Bruno Moraes e Lucho assinariam a remontada. Se o FC Porto confirmar a vitória, ficará novamente a dois pontos do líder Sporting.