A cena é sobejamente conhecida e recordada amiúde: no banco de trás de um luxuoso automóvel, uma senhora de aspeto distinto partilha com o seu motorista, Ambrósio, a vontade de “tomar algo”. Ambrósio, profissional esmerado, não se deixa apanhar desprevenido. Primeiro, sugere parar. Depois, quando lhe é mencionado Ferrero Rocher, revela preparação afincada, exibindo, no compartimento retrátil, uma pirâmide dos ditos chocolates que a esfomeada senhora não hesita em encetar. A narrativa remata-se da única forma justa: “Bravo Ambrósio”.

Imaginemos, no entanto, para efeitos deste artigo, que a senhora não queria Ferrero Rocher. Ou porque não gosta de avelã, ou porque o seu paladar sofisticado exige algo mais complexo ou então, simplesmente, porque está farta — afinal, não é fácil passar 25 anos a comer o mesmo chocolate. A tarefa de Ambrósio complicar-se-ia. Recordemos, no entanto, que se trata de um motorista de exceção, culto, diligente e especialista no mercado chocolateiro. É possível, por isso, que nesse cenário hipotético a sua sugestão passasse por uma destas alternativas.

Penha Longa Resort

Sim, é um resort. Sim, comercializa chocolates. Mais concretamente seis: Origem, Árabe, Adens, Trópico, Nozes e Sweet Mango. A receita é assinada pelo sub-chef pasteleiro do Penha Longa, Gabriel Campino, e destaca-se por usar uma base de 68% cacau vindo das florestas tropicais de México e Cuba. Cada chocolate da coleção (criativamente — ou não — denominada “The Chocolate”) é inspirado num mote distinto. Por exemplo, os bombons Árabe (2€), com ganache de canela e cardamomo, são inspirados na sala árabe do Mosteiro da Penha Longa. Já a tablete Adens (15€) toma como referência os jardins do mesmo Mosteiro, refletidos no ganache de hortelã da ribeira e tomilho. Não menos importante é a parceria com a famosa chocolataria belga Callebaut, responsável pelo fabrico dos chocolates.

Os chocolates estão à venda no Penha Longa Resort, na Estrada da Lagoa Azul (Sintra). 21 924 9011

Árabe

Bombons Árabe (2€/unidade), uma das sugestões do Penha Longa. (foto: DR)

Equador

Na remota possibilidade de não ser assim tão apreciador/a de chocolates atente, por favor, no seguinte vídeo, cortesia da Chocolataria Equador. Se se mantiver a indiferença nada do que se escrever daqui para a frente fará algo por si. É que os produtos desta excelente chocolataria artesanal, nascida no Porto, começam por encantar, precisamente, pela imagem. Não é de estranhar, aliás: a marca foi criada por um designer e uma artista plástica. O visual retro e padronizado das embalagens — muitas fazem lembrar o célebre azulejo hidráulico — compete, nesta época, com uma criação que já se tornou um clássico: o pinheiro de chocolate que decora as montras das lojas de Porto, Gaia (no El Corte Inglés) e Lisboa. O portfólio das festas natalícias inclui ainda packs com tábuas, vinho do Porto ou até uma réplica em puzzle de uma vila para montar…e comer.

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Loja do Porto: Rua Sá da Bandeira, 637. 96 729 6160
Loja de Lisboa: Rua da Misericórdia, 72. 21 347 1229
www.chocolatariaequador.com

pinheiroequador

Um dos pinheiros de chocolate que, nesta época, decoram as lojas da Equador.
(foto: DR / Facebook)

Siopa

A pequena loja de Francisco Siopa no Mercado da Vila, em Cascais é um autêntico paraíso para quem sempre sonhou provar chocolate aromatizado com produtos tão diferentes como queijo Roquefort, azeite Casa Anadia, toucinho de porco alentejano ou até ovas de sardinha. Resulta? Bom, depende sempre do gosto do freguês, mas há combinações que podem surpreender pela positiva até as papilas gustativas mais conservadoras. Claro que a juntar a essas criações há trufas e bombons mais clássicos, todos eles artesanais. E troncos natalícios únicos — Francisco é um pasteleiro de exceção — com mousse de caramelo, parfait de praline, mousse de chocolate de São Tomé e biscuit de cacau.

Rua Padre Moisés da Silva, loja 30, Mercado da Vila, Cascais. 96 262 2775 / 21 136 9327
facebook.com/SIOPA-Chocolatier

siopa bombom tomate

Bombom de tomate, uma das inúmeras criações improváveis de Francisco Siopa.
(foto: DR / Facebook)

Leonidas

Uma das marcas mais conhecidas de chocolate belga — e que, curiosamente, nasceu pelas mãos de um emigrante grego, Leonidas Kestekides — instalou-se muito recentemente em Portugal, com duas lojas: uma em Lisboa, entre o Rato e a Estrela, outra no Porto, no Mercado do Bom Sucesso. Em qualquer uma delas, o mais difícil é mesmo escolher: a oferta permanente supera as 80 variedades, entre tabletes, bombons e derivados, todos eles produzidos na Bélgica e com preços que variam entre os 0,50€ por bombom ou 1,80€ por tablete. Segundo consta, o Leonidas Manon, com cobertura de chocolate branco, continua a ser o favorito dos clientes.

Loja de Lisboa: Avenida Alvares Cabral, 62D (Rato). 21 901 3415
Loja do Porto: Mercado do Bom Sucesso, Loja 010
www.facebook.com/leonidaschocolatesportugal

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Exemplo de um sortido de bombons Leonidas. (foto: DR)

Denegro

António Marques, o chef pasteleiro da Denegro, passou por restaurantes como a Fortaleza do Guincho, a Bica do Sapato, além de ter trabalhado com o incontornável Joel Robuchon. A juntar a isso é embaixador da conceituadíssima Barry-Callebaut desde 2005. Currículo, por isso, não lhe falta. E a qualidade, felizmente, é correspondente. Basta entrar na oficina da marca, na Rua de São Bento, para ficar com vontade de provar tudo, os bombons (ou “bem bons”, como também lhes chamam) de vários sabores — alguns há todo o ano, outros são de época –, as trufas ou até mesmo os bolos de vários tipos de chocolate. Quem quiser aprender mais sobre a arte deverá perguntar pelos workshops, que acontecem por ali com alguma frequência.

Rua de São Bento, 333, Lisboa. 21 099 8022
www.denegro.pt

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As pirâmides de lima, uma das criações de marca da Denegro. (foto DR / Facebook)

Bonitos

São bonitos de nome — o da família que fundou a casa há várias décadas — e de feitio, estes chocolates artesanais de origem portuense. Apesar de também surgirem noutros formatos, como barras, tabletes ou trufas, os bombons são os reis da casa, que, aliás, se identifica como um bombonaria. Justifica-se, assim, que a variedade de recheios dos ditos se situe na casa das dezenas: limão, tangerina, maçã, baunilha, côco, menta, caramelo e outros que tais. Importante: também os há sem açúcar, para quem não o quer/pode consumir.

Lojas no Porto: Rua Afonso Lopes Vieira, 150. 22 609 4568 / Rua 31 de Janeiro, 235. 225500749
Loja em Guimarães: Centro Comercial São Francisco, 50. 235 096 172
Loja em Lisboa: Rua dos Cruzados, 28 A. 21 196 0324
www.bonitos.com.pt

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São bonitos, os bombons. E são bombons Bonitos. (foto: DR)

Arcádia

Quando abriu portas, em 1933, era apenas uma confeitaria na Praça da Liberdade, cujas amêndoas e línguas-de-gato lhe deram fama. Essa confeitaria, entretanto encerrada, foi, no entanto, apenas um ponto de partida: hoje, oito décadas volvidas, é, talvez, a marca de chocolates artesanal mais conhecida do país. E é-o graças às tais amêndoas e línguas-de-gato, sim, mas também graças a uma variedade imensa de chocolates de todo o tipo, das trufas às sardinhas, com frutas ou bebidas alcoólicas.

A Arcádia tem cerca de duas dezenas de lojas em todo o país, espalhadas por Porto, Aveiro, Coimbra, Braga, Guimarães, Viseu, Lisboa, Estoril e Cascais. www.arcadia.pt

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As caixas natalícias da Arcádia incluem figuras típicas da época.
(foto: DR)