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Se toda a gente mente, como defendia a personagem interpretada por Hugh Laurie na série Dr. House, ainda está por provar. Mas uma coisa é certa: ao que parece, andamos todos em busca dos sinais errados quando tentamos apanhar um mentiroso. Segundo um novo estudo, há anos que eles nos andam a enganar (ainda mais do que achávamos).

À falta de um nariz à Pinóquio, uma pesquisa feita por uma equipa de investigadores da Universidade do Michigan debruçou-se sobre 120 casos verídicos de tribunais englobados pelo The Innocence Project e concluiu que as características de um mentiroso são diferentes das que pensamos. Adeus crença nas mãos suadas e na inexistência de contacto visual — na verdade, os mentirosos encaram as pessoas de frente e têm tendência a gesticular mais, além de fazerem caretas e de recorrerem às palavras “hum” e “ah” entre frases.

A experiência usou técnicas aprendidas pelas máquinas para criar um software que analisasse palavras e gestos e conseguisse distinguir os mentirosos dos sinceros. Os testes mostraram que o software conseguiu detetar a diferença em 75 por cento dos casos, enquanto os humanos só se aperceberam dos mentirosos metade das vezes.

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Em declarações à news, Rada Mihalcea diz que o estudo se focou em casos verídicos porque é impossível criar um cenário em laboratório que incentive as pessoas a mentirem de forma convincente. “Nós podemos oferecer uma recompensa se as pessoas conseguirem mentir bem, ou seja, pagar-lhes para convencerem outra pessoa de que algo falso é verdade. Mas na vida real há uma verdadeira motivação para enganar.”

Já o professor de engenharia mecânica, Mihai Burzo, sublinha que o estudo revela quão maus somos enquanto detetores de mentiras. “Há pistas que os humanos dão naturalmente quando estão a enganar, mas as pessoas não prestam atenção suficiente para as perceber. Ninguém conta quantas vezes outra pessoa diz ‘eu’ ou olha para cima. O foco está noutro nível de comunicação.”

Para além de toda esta caça aos sinais, numa segunda fase a investigação pretende ainda medir a temperatura corporal e o batimento cardíaco para, com os resultados, facilitar a vida das agências de segurança, dos tribunais e de quem lida com doenças mentais.