Lonesome George foi encontrada a vaguear sozinha na ilha de Pinta no arquipélago dos Galápagos em 1972 tendo sido colocada sob custódia. Isto porque chegou a ser considerada a criatura mais rara do mundo – era o último macho da espécie de tartarugas das Galápagos presente nesta ilha. E a sua morte em 2012, com mais de 100 anos de idade, pôs um ponto final definitivo na existência da sua linhagem histórica.

Este tipo de tartarugas foi arrasado até à sua extinção ao longo dos séculos. No século XVI, calcula-se, existiam cerca de 250 mil exemplares sendo que este número desceu até aos 3 mil nos anos 70 do século XX. A intervenção humana, desde o século XIX, no arquipélago foi um dos fatores principais para o desaparecimento gradual da espécie.

Mas agora, o ser humano, potencial responsável pela morte destas tartarugas, pode compensar o erro e provocar o ressuscitamento da espécie, conta o New York Times. É que, ao longo dos anos nem tudo se perdeu, e algumas tartarugas foram deixadas para trás nascendo novas espécies que vivem, atualmente, na ilha Isabela. Ora, em 2008, ainda antes da morte de Lonesome George, os cientistas começaram a recolher amostras de sangue de mais de 1.600 tartarugas. E, ao serem analisadas em laboratório, fez-se uma descoberta surpreendente: alguns dos animais desta ilha tinham elevados níveis de ADN dos antepassados da ilha de Pinta. Antepassados ou nem tanto. Porque, tal como referem os investigadores, as tartarugas podem viver até aos 150 anos, o que pode significar que podia haver mesmo familiares próximos de Lonesome George. Ou seja, a espécie talvez não esteja completamente extinta.

Com base nestas descobertas, os cientistas voltaram ao local no mês passado para capturar e separar os animais com níveis de ADN semelhantes. Depois, o objetivo é começar a gerar tartarugas geneticamente semelhantes com as espécies originais das Galápagos.

Os cientistas acreditam portanto que, dentro de algumas gerações, é possível obter tartarugas com 95% dos genes extintos. A conselheira sobre a conservação das Galápagos, Linda Cayot, citada pelo jornal norte-americano, explica que esta “é a primeira vez que a informação genética foi usada de forma tão determinante” e que, por isso, dentro de 5 a 10 anos estas novas populações de tartarugas podem ser novamente libertadas nas ilhas de Pinta e Floreana para restaurar os seus ecossistemas perdidos.