O PCP propôs o nome de Domingos Abrantes, histórico dirigente comunista que esteve preso durante a ditadura, para membro do Conselho de Estado. O nome foi divulgado aos jornalistas por nota do PCP no Parlamento, após uma reunião entre os líderes parlamentares do PCP e do PS, noticiou a Renascença.

Domingos Abrantes, de 79 anos, é funcionário do partido desde 1956, e integrou o Comité Central do PCP dez anos depois, em 1963. Foi deputado entre 1976 e 1991, e é um dos elementos mais conotados com a linha ortodoxa do partido. Antes do 25 de abril, viveu na clandestinidade e esteve preso durante 21 anos.

Em 2004, saiu do Comité Central do PCP “por vontade própria”, segundo afirmou na altura, quando sublinhou que pretendia sair com condições físicas e psicológicas para tal, “como Álvaro Cunhal” fez, segundo uma notícia do JN, publicada nesse ano. Foi substituído por Francisco Lopes, e já antes abandonara quer a Comissão Política, quer o Secretariado do partido.

O nome esperado era o de Jerónimo de Sousa, já que é tradição no PCP ser o secretário-geral do partido a ocupar o lugar. Antes, estiveram como conselheiros de Estado os líderes Álvaro Cunhal e Carlos Carvalhas. A tradição foi interrompida com a eleição de Aníbal Cavaco Silva: a partir daí, o Conselho de Estado deixou de ter qualquer elemento nomeado pelo PCP.

O Bloco de Esquerda vai debater o nome para conselheiro de Estado esta noite numa reunião da direção, devendo apresentá-lo quarta-feira, último dia do prazo. Já garantido está o nome de Carlos César. Quanto a PSD e CDS-PP, ainda não há confirmação de qualquer proposta para o Conselho de Estado, embora notícias recentes adiantem que Francisco Balsemão deverá manter o seu lugar no órgão.

O prazo de entrega das listas para o Conselho de Estado termina esta quarta-feira. E deverão ser entregues duas listas. O PS entende-se com o PCP e o BE para dividirem entre si três lugares, considerando que os outros dois são para os partidos de direita. PSD e CDS consideram que cabe a eles preencherem três lugares e que a esquerda só tem direito a dois. De qualquer modo, têm que apresentar uma lista de cinco nomes para os cinco lugares disponíveis.