Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O presidente do Banif pediu, mas o Governo não quis. Jorge Tomé disse na terça-feira, em entrevista à SIC, que quando pediu ao Governo que vendesse o banco, em março, a resposta do executivo foi que essa não seria “a melhor solução” na altura, por causa do processo de venda do Novo Banco. “Muito provavelmente não quis misturar os processos”, afirmou.

Jorge Tomé afastou qualquer comparação que se possa fazer entre a situação que o Banif está a viver e a que levou à medida de resolução aplicada ao BES. Contou ainda que o Governo terá dito que se aparecessem propostas de compra do banco, olhariam para elas, mas “abrir um concurso de forma estruturada”, isso não.

“São casos muito diferentes. O BES, como é de conhecimento público, era um banco que não cumpria rácios de capital, estava em incumprimento, e as contas precisavam de bastantes ajustamentos. O Banif é um banco capitalizado pelo Estado há dois anos e tem sido objeto de uma restruturação e de várias auditorias. Em matéria de clareza de contas, não há nenhuma comparação [entre os dois]”, afirmou.

Assumindo que a medida de resolução aplicada ao BES “teve um efeito muito importante” no não pagamento da última tranche de 225 milhões ao Estado, em dezembro de 2014. “Teve um impacto nas nossas contas de cerca de 120 milhões de euros”, referiu.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Sobre o atual prazo curto que há agora para a venda do Banif – até ao final do mês -, Jorge Tomé afirma que acaba por ter “implicações no preço”, mas que acredita no projeto que é o Banif. Chega mesmo a dizer que não vendeu as ações que possui do banco, apesar de já ter perdido muito dinheiro.

O primeiro-ministro António Costa ouviu, esta terça-feira, os partidos com assento parlamentar, Carlos Costa e Mário Centeno, sobre a situação do Banif. Na entrada para o tradicional jantar de Natal do PS, referiu que o custo para os contribuintes resultantes da “salvação” do Banif dependerá da solução final do processo em curso naquele banco.

Sobre os depositantes, o primeiro-ministro afirmou que “têm todas as razões para estarem plenamente confiantes na integridade dos seus depósitos, independentemente dos seus montantes”. “Quanto ao dinheiro público investido no banco, isso dependerá muito da solução final. Não posso dar a mesma garantia”, afirmou.