Enquanto os Estados Unidos e os seus aliados se envolvem no desafio de atacar o Estado Islâmico e, ao mesmo tempo, tentam chamar a atenção para a necessidade de retirar o poder a Bashar al-Assad na Síria, a organização não-governamental de direitos humanos, Human Rigths Watch, alega ter provas que mais de 7 mil sírios que morreram em centros de detenção estaduais foram torturados, maltratados ou executados.

O jornal The Guardian conta que a organização identificou 19 vítimas torturadas numa coleção de fotografias que ficaram conhecidas como “ficheiros Caesar”, divulgadas por um desertor militar que relatou as mortes que ocorreram no regime sírio durante mais de dois anos.

Mostrar Esconder

Por razões de segurança um antigo fotógrafo da polícia militar síria ficou conhecido como Ceasar depois de ter desertado e de ter fugido do país. Este, cujo trabalho era fotografar detidos mortos, levou as referidas imagens para fora da Síria entregando-as ao Movimento Nacional Sírio, que é apoiado pelo Qatar.

Com base nestes registos foi elaborado um relatório de 31 páginas por um escritório de advogados de Londres representando o Qatar, tendo sido posteriormente disponibilizado à ONU, governos e organizações dos direitos humanos tais como a Human Rigths Watch.

Na altura, Ceasar não confirmou que tenha testemunhado execuções ou tortura nem tinha sido confirmada a autenticidade das fotografias.

Calcula-se que cinco centros de detenção do estado sírio tenham detido, desde do início das manifestações populares contra o regime de Assad em 2011, pelo menos 117 mil pessoas.

Ora, o Human Rights Watch afirma que, para além destes cinco centros, as mortes ocorreram também em dois hospitais localizados nos arredores da capital Damasco. Uma testemunha citada pela organização afirma que a maioria dos corpos eram transportados para o hospital militar 601 nos subúrbios de Mezze.

Mas existem ainda mais pormenores sobre o caso. Conta-se que nenhum dos 19 corpos referidos foram recuperados pelas respetivas famílias e apenas duas destas receberam certificados de óbito. Ora, nesses documentos foi referido que as mortes tiveram como causas falhas cardíacas ou respiratórias.

Para se reunir provas mais concretas cada caso foi estudado por um patologista forense que examinou várias fotografias das vítimas. Depois da análise, alega-se que foram encontradas provas de fome extrema, infeções de feridas, traumatismos no corpo e, num caso em específico, um tiro na zona da cabeça.

Tudo isto leva Nadim Houry, diretor da Human Rights Watch para o Médio Oriente, a afirmar que “não temos dúvidas que as pessoas mostradas nas fotografias Caesar estavam famintas, eram espancadas e torturadas sistematicamente, e em grande escala”. Mas Houry diz que esta é apenas uma pequena parte do problema isto porque “estas fotografias representam apenas uma fração das pessoas que morreram sob custódia do governo sírio. Outros milhares estão a ter o mesmo destino”.