Psicologia

Os videojogos são como uma droga? “É uma suposição completamente infundada”

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Halley M. Pontes investiga o efeito dos videojogos e da Internet na saúde mental. Em entrevista, explica porque é que Quintino Aires não tem razão em considerar os videojogos "um veneno".

AFP/Getty Images

Halley M. Pontes é psicólogo clínico e investigador da Nottingham Trent University (Reino Unido), onde é membro da divisão de Psicologia e da International Gaming Research Unit (IGRU), liderado pelo professor Mark Griffiths. O investigador português sempre foi um grande fã de videojogos, estes sempre fizeram parte da sua vida e a partir de 2007 começou a estudar o modo como a Psicologia entende os videojogos, desenvolvendo a sua linha de investigação sobre o efeito do uso dos videojogos, da Internet e outras tecnologias na saúde mental. O que conduziu o investigador de Portimão a explorar esta área de investigação?

O Elefante na sala de estar

Tentámos nesta entrevista reacender um debate que incendiou a comunidade gamer (e não só), quando Quintino Aires, o conhecido comentador dos órgãos de comunicação social portugueses, comparou a PlayStation a drogas, sublinhando o facto de esta ser “um veneno” (no programa “Você na TV” – TVI – do dia 19 de julho de 2013).

Perguntámos a Halley M. Pontes se é possível haver uma comparação entre videojogos e drogas, e se as palavras de Quintino Aires devem ser levadas a sério, ou se são palavras que “demonizam” os videojogos.

Mudam-se os tempos, mudam-se os hábitos

Os hábitos e as brincadeiras mudaram ao longo dos anos e alguns objetos destinados para as brincadeiras quase que deixaram de fazer sentido no mundo contemporâneo. Os berlindes e os piões, as corridas de rolamentos e os escorregas, foram em grande parte substituídos por novas brincadeiras com produtos para massas, desde computadores, smartphones e consolas, mas também figuras de super-heróis e colecionáveis. Será que estes hábitos mudaram a vida para melhor ou para pior? E será que geram dependência, concretamente com as tecnologias?

Os benefícios dos videojogos.

Dr. Quintino Aires sobre Os Jovens e os Videojogos” é uma nota pública da autoria de Halley M. Pontes que questiona o discurso “nada credível” de Quintino Aires e aponta o seu desconhecimento acerca dos videojogos e seus efeitos, contrapondo que “os benefícios dos videojogos são os mais diversos possíveis”. Pedimos ao Halley Pontes para enumerar alguns desses benefícios.

O Escapismo: problema ou solução?

Ainda pelas palavras de Quintino Aires, para as crianças “jogar um videojogo é tão saboroso, e enfrentar os amigos é tão difícil porque eles são cruéis, a resposta natural é refugiar-se na coisa saborosa, e é aí que vem o prejuízo grande”. Será que as pessoas jogam para fugir aos problemas e será essa uma válvula de escape prejudicial?

“Tenho muito medo da morte e continuo com um pânico mudo quando tenho de conduzir, especialmente quando tenho a minha mulher e o meu filho no banco de trás do carro. Tenho muito medo das infinitas variáveis que nos podem fazer cruzar a linha da existência. Mas encontrei uma forma segura de me libertar, de experienciar coisas que o meu corpo físico e os meus entraves psicológicos nunca deixarão. E consegui-o através da abstração virtual de um videojogo.

O medo da morte continua, mas uma parte de mim pode soltar-se, gloriosamente, dos medos que me aprisionam. Há muitas abrangências nos videojogos, muitos planos a serem vivenciados, e a diversão é apenas uma face da mesma moeda que tem o escapismo como bordo. Jogar, é afinal, uma forma de escapar dos limites da nossa vida.” O que podemos retirar desta citação, de um artigo do Rubber Chicken sobre a temática do escapismo?

As preocupações de muitos pais

Podemos por vezes sentir que os videojogos tiram tempo para outras tarefas ou podem desestabilizar a vida escolar ou profissional. Podemos até achar que jogar um videojogo retira tempo para socializar e conviver, impedir uma criança de estar em contacto com outras crianças ou com a própria família. Devem estar os pais demasiado preocupados com estas questões? Os videojogos devem ou não devem ser jogados e com que regularidade?

Uma recomendação para leitura

O progresso científico na área dos videojogos começou a ser mais visível a partir dos anos 1990 e já são muitos os estudos que, apesar de não nos darem respostas precisas sobre temas como a violência, são mais demarcados na compreensão dos videojogos enquanto forma artística e como processo cognitivo. Halley Pontes sugere como base de leitura estudos de fonte credível para quem estiver interessado em saber um pouco mais sobre os temas que foram abordados nesta entrevista. Também se olhava para a proliferação da rádio e da televisão com desconfiança na nossa sociedade, e se já mudámos os hábitos das brincadeiras, porque não mudar os nossos hábitos de pensamento?

Frederico Lira, Rubber Chicken

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