Quando esta noite estava a cair na Islândia, o mercúrio dos termómetros estava perto dos zero graus. Por essa altura, as crianças penduraram pela quarta vez este ano um sapato de Natal à janela. Na última terça-feira, todas esperavam pela visita do “Lambedor de Colheres”, um Rapaz de Yule responsável por marcar a quadra natalícia no país mais pacífico do mundo. É assim há centenas de anos. Mas a tradição dos Rapazes de Yule mudou nos últimos tempos.

Os treze rapazes de Yule são figuras inspiradas na cultura folclórica da Islândia, explica o Museu Nacional da Islândia. Durante os treze dias que antecedem a Noite de Natal, as crianças islandesas penduram sapatinhos com cores natalícias à janela. Todas as noites, um dos rapazes de Yule visita os meninos e deixa-lhes um presente ou um castigo (normalmente uma batata podre, o equivalente ao carvão nos EUA), de acordo com o comportamento das crianças ao longo do ano. Os Rapazes de Yule têm um nome próprio, uma personalidade muito particular e uma forma de atuar específica. Mas há um traço comum a todos: são amistosos, embora marotos, garante o site turístico da Islândia.

Durante muitos anos, os adultos contavam às crianças que os Rapazes de Yule eram monstros que viviam na montanha e comiam os meninos que se portavam mal, conta o site oficial “Yule Lads”. O crime corria-lhes no sangue: dizia-se que eram os filhos de dois ogres dos contos islandeses, Gryla e Leppaluoi. As lendas dizem que Gryla era um ogre gigante que adorava sopa de crianças malcomportadas e que morava com o terceiro marido, Leppaluoi, nos campos de lava da Islândia. Ambos tinham um gato malvado que caçava os miúdos rebeldes.

De acordo com a Escola de Elfos da Islândia, uma instituição que se dedica ao estudo da mitologia islandesa, os Rapazes de Yule herdaram alguma da carga cultural dos Huldufólk. Eles também são figuras folclóricas que os islandeses acreditavam que viviam nas montanhas de pedra “noutra dimensão, muito próximos a nós”. Rezavam as lendas que os Huldufólk eram os filhos que Eva escondeu de Deus. Quando Deus os descobriu renegou-os para um mundo intermediário entre a luz e as trevas.

As histórias assustavam de tal modo os mais pequenos que, em 1764, as autoridades islandesas proibiram os pais de continuar a inventar histórias assustadoras com os Rapazes de Yule. A partir dessa altura, estas figuras passaram a ser influenciadas pelos contos de Natal estrangeiros: os rapazes passaram a vestir-se de vermelho (como São Nicolau) e a comportar-se como os gnomos dinamarqueses.

Em 1932, os Rapazes de Yule protagonizaram um poema de Johannes Uur Kotlum chamado “Jólasveinarnir”, que foi incluindo no livro “O Natal Está a Chegar”. A tradição começou desde então e permanece até aos dias de hoje: desde a noite de 12 de dezembro até dia 24, um rapaz entra na casa da criança e deixa o presente no sapatinho. Entretanto, rouba umas bolachas ou um copo de leite na cozinha.

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