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Na madrugada desta terça-feira realizou-se o quinto debate entre candidatos à nomeação republicana para as eleições presidenciais americanas. No embate, transmitido pela CNN, a segurança nacional e o terrorismo estiveram no centro da discussão numa altura em que se vive o rescaldo dos atentados de Paris do passado dia 13 de novembro e do tiroteio em San Bernardino na Califórnia que vitimou 14 pessoas. E este facto, que tem influenciado as últimas sondagens, levou a que se registasse o confronto mais interessante e mais aceso da noite: o do senador do Texas, Ted Cruz, contra o senador da Florida, Marc Rubio. Donald Trump, o grande protagonista até ao momento desta campanha, e mais confortável em relação a assuntos económicos, ficou ali de lado a assistir à discussão.

O empresário norte-americano, Donald Trump, que ainda não se livrou das polémicas declarações onde propunha proibir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos, recebeu nos últimos dias más notícias em relação às sondagens, pois Ted Cruz surge agora à sua frente no Iowa, um estado chave para perceber quem será o vencedor nas primárias republicanas. Por isso o multimilionário não se livrou do ataque dos adversários, principalmente de Jeb Bush. Este pegou nas propostas de Trump em relação à imigração para provar a sua “falta de seriedade” e que a estratégia do magnata do imobiliário para derrotar o Estado islâmico é “simplesmente louca”. Trump respondeu relembrando que a campanha de Bush “está a falhar” e que esta tem sido “um desastre total”.

Debate republicano EUA

Continuando no tema do Estado Islâmico, houve, no meio da discussão, uma proposta no mínimo curiosa e que não passou despercebida. John Kasich, atual governador do Ohio, simplesmente não compreende a razão pela qual se realizou uma conferência sobre o ambiente quando o o ‘daesh’ é neste momento a maior ameaça que o mundo enfrenta: “Quando vejo que há uma cimeira do clima em Paris, eles deviam ter estado a falar sobre como destruir o ISIS”. Já Ben Carson, conceituado neurocirurgião e também candidato republicano, utilizou a sua profissão e especialidade para comparar os bombardeamentos na Síria com a retirada de um tumor cerebral de uma criança. Isto porque, diz Carson, as crianças não ficam contentes quando sabem que lhe vão abrir o cérebro, mas depois tornam-se as melhores amigas do médico.

Também Trump ofereceu mais algumas promessas originais, garantindo que vai ser “muito, muito firme com as famílias” dos terroristas. Considerando até matar os familiares daqueles que atacarem os EUA.

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Mas o maior confronto, aquele que teve mais destaque, foi entre Marco Rubio e Ted Cruz. Este último, que lidera as sondagens no importante estado do Iowa, batalhou com Rubio em matérias como a imigração, dados recolhidos pelos serviços de segurança e espionagem e as possíveis alterações de regimes políticos no Médio Oriente. No fim disputou-se entre os dois jovens candidatos o título do melhor conservador.

Cruz chegou a afirmar que Marco Rubio “sabe que o que está a dizer não é verdade”, quando o senador da Florida o acusou de ter votado, no Congresso, favoravelmente à limitação aos programas de vigilância de base de dados utilizados pelos serviços de segurança americanos com o objetivo de identificar suspeitos de terrorismo.

Mas houve mais, com Rubio a garantir que ele é o único e verdadeiro conservador na corrida e Cruz a responder citando o venerado republicano Ronald Reagan – “Houve um tempo para escolher” – para acusar o concorrente por este ter apoiou um projeto-lei de amnistia. Mas Rubio não se ficou e atacou o texano afirmando que este, em 2013, abriu caminho para que fosse aprovada a legalização de imigrantes ilegais no Congresso. Ora Cruz rejeitou liminarmente a acusação: “Eu nunca apoiei a legalização, e eu não tenho intenção de apoiar a legalização”.