Contrariamente ao que tem vindo a ser defendido, a sensação de pânico que se instala nas pessoas quando se apercebem de tudo o que têm para fazer em pouco tempo — o chamado stress — não as vai matar mais depressa. Décadas de um esforço conjunto entre a Universidade de Oxford e a Universidade de New South Wales resultaram num estudo que concluiu que o stress não tem um impacto imediato na esperança média de vida — já as decisões tomadas como resultado do sentimento de infelicidade que esse estilo de vida implica, podem ter.

Em declarações ao jornal The Telegraph, Sir Richard Peto, professor em Oxford, diz que “a preocupação” e o “stress em si não mata”, fazendo no entanto a ressalva de que “o comportamento que a preocupação causa pode ter efeitos adversos, à semelhança de fumar ou beber”.

Brian Lochore caprain of the All Blacks, New Zealand rugger team rests his head in his hand after a strenuous training session at Wimbledon before a European tour.   (Photo by Bob Aylott/Getty Images)

Bob Aylott/Getty Images

Publicada no The Lancet, a investigação estudou dados de 720 mil pessoas desde 1996 e identificou uma ligação entre aquelas que morreram (30 mil) e o stress. Mas quando os cientistas olharam para os estilos de vida dessas pessoas, essa ligação desapareceu.

Se o stress não mata, há até alguns estudos que vão mais longe e acreditam que ele pode ser benéfico para a saúde. O Telegraph reuniu cinco dessas teorias, das quais destacamos três:

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1. Ajuda a memória

Vários estudos acreditam que as hormonas do stress estão relacionadas com a capacidade de aprendizagem e a retenção de informação.

Quando mantido em níveis razoáveis — demasiado alto pode levar à depressão e demasiado baixo pode causar fatiga suprarrenal –, o cortisol (a “hormona do stress”) pode ser uma ajuda preciosa para manter o foco e melhorar a memória de curto-prazo até que uma tarefa esteja cumprida.

Numa experiência feita em ratos, em 2013, investigadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia, descobriram que episódios de stress menores levaram os roedores a criarem mais células nervosas no cérebro. O estudo também ajudou a descobrir que duas semanas após a situação stressante, a memória dos ratos melhorou.

2. Previne a gripe

Estar em stress, mesmo que temporariamente, pode dar-lhe mais defesas. Ao que parece, estar ansioso com alguma coisa faz com que o sistema imunitário pense que precisa da sua ajuda para ultrapassar a situação que lhe está a provocar ansiedade. Há até quem defenda que passar por uma situação de stress antes de levar uma vacina pode resultar numa maior proteção.

Mas a palavra “temporariamente”, aqui, é importante. De acordo com Firdaus Dhabhar, da Universidade de Stanford, “a natureza usa o cérebro, o órgão mais capaz de detetar um desafio iminente, para mandar sinais dessa deteção ao resto do corpo, através da libertação de hormonas de stress. Sem elas, um leão não poderia matar e uma impala não poderia fugir.” No entanto, “não se quer manter o sistema imunitário em alerta máximo o tempo todo”.

3. É motivante

Pode parecer óbvio, mas um pico de stress pode ser o que faz falta para acabar uma dada tarefa. O stress pode tornar as pessoas mais eficientes e criativas, de acordo com a necessidade. Segundo Kerry McGonigal, da Universidade de Stanford, tudo depende da forma como se olha para as coisas. No seu livro de 2013, The Upside of Stress, Kerry defende que, com força de vontade, sentimentos que antes eram negativos podem ser reinventados como algo bom.

“Nascemos com tantos instintos para prosperar sob stress. Se conseguir olhar para o stress de forma diferente, pode alterar o efeito que tem em si. Não precisa de fazer terapia ao longo de 20 anos. A chave está em mudar a forma de pensar. Se aceitar o stress, pode transformar o medo em coragem, o isolamento em ligação e o sofrimento em significado”, diz o autor.