O primeiro-ministro britânico, David Cameron, rejeitou a eventual proibição da confraria da Irmandade Muçulmana no Reino Unido, mas preveniu que qualquer ligação com este grupo poderá ser considerada “um eventual sinal de extremismo”.

“Algumas seções da Irmandade Muçulmana têm uma relação ambígua com o extremismo violento”, escreveu Cameron aos deputados, ao apresentar os resultados de um inquérito sobre esta confraria.

O relatório, que não foi divulgado publicamente, concluiu que “ser membro, associado ou influenciado pela Irmandade Muçulmana deverá ser considerado como um sinal de extremismo”, precisa o primeiro-ministro.

Cameron indicou ainda que as autoridades vão continuar a investigar sobre a legitimidade das opiniões e as atividades da Irmandade Muçulmana.

Paralelamente, o Governo britânico pretende “intensificar a vigilância das opiniões e das atividades conduzidas no estrangeiro pelos membros, associados ou filiados da Irmandade Muçulmana, estejam sediados no Reino Unido ou em outros locais”, sublinha Cameron.

Em comunicado, a confraria fundada em 1928 no Egito por Hassan al-Banna reagiu quase de imediato para referir que “não aceita as conclusões enunciadas nas declarações do primeiro-ministro”, e através dos seus serviços de imprensa, instalados em Londres.

“Vamos contestar na justiça o prosseguimento do inquérito e as suas conclusões”, anunciou Tayab Ali, advogado da confraria.

Diversos aliados do Reino Unido no Médio Oriente têm pressionado Cameron para proibir a Irmandade Muçulmana, incluindo o Egito, onde esta organização foi ilegalizada e considerada “terrorista” após o golpe militar de julho de 2013 que iniciou uma intensa vaga repressiva sobre esta formação, que ocupava o poder, e outras forças da oposição.