Um grupo de astrónomos australianos descobriu um exoplaneta (planeta que orbita uma estrela que não seja o Sol) potencialmente habitável a apenas 14 anos-luz da Terra. “Wolf 1061C” é um dos três planetas que orbitam uma estrela vermelha anã na Via Láctea: são todos rochosos, mas apenas o terceiro a contar da estrela Wolf 1061 está na zona Goldlicks, ou seja, a uma distância que permite a existência de água no estado líquido.

De acordo com o comunicado dos cientistas da Universidade de New South Wales, este planeta tem quatro vezes a massa da Terra e completa o movimento de translação no equivalente a 67 dias terrestres. As condições que apresenta podem indicar a existência de vida, mas essa é uma realidade que só pode ser estudada se o planeta passar em frente à estrela Wolf 1061, permitindo aos astrónomos analisar a sua atmosfera.

Os cientistas australianos realçam, ainda assim, que dificilmente o planeta poderá ter condições de habitabilidade para os seres vivos na Terra: a gravidade é 1,8 vezes maior do que no planeta azul e o seu período de rotação pode ser igual ao de translação. Se assim for, significa que o planeta tem uma das faces constantemente virada para a estrela (extremamente quente) e a outra face sempre na sombra (extremamente fria). A zona de crepúsculo, onde a temperatura pode ser mais amena, não ia ser “confortável para sobreviver”, explica Duncan Wright, um dos astrónomos envolvidos na descoberta.

Há cerca de 50 milhões de estrelas anãs na galáxia e o Sol é uma delas. Mas estima-se que apenas metade tenha planetas rochosos a orbitar a sua estrela. Um desses planetas é Gliece 667Cc, um corpo a 22 anos-luz da Terra que completa uma volta à estrela em 28 dias e que tem 4,5 vezes a massa da Terra.