Os líderes europeus comprometeram-se esta noite a manterem Schengen e a ouvirem com atenção todas as reivindicações do Reino Unido que não ponham em causa a livre circulação e os benefícios dos trabalhadores europeus no país. As decisões concretas sobre a melhor forma de guardar as fronteiras externas da Europa ficam para julho de 2016, mas a discussão sobre o Reino Unido está aberta.

Com a crise de refugiados e a possível saída do Reino Unido da UE na agenda desta tarde e noite, os líderes europeus conseguiram chegar a acordo em alguns pontos. O plano de ação dos 28 em relação à recolocação dos refugiados foi vago, com os Estados-membros a afirmarem estar empenhados em retirar mais pessoas da Grécia e de Itália e a proceder a uma identificação mais rápida e eficaz dos migrantes que chegam à Europa. Quanto ao futuro das fronteiras externas, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, afirmou que os europeus podem ficar “mais otimistas”, já que até junho todos os líderes terão de dizer o que acham da proposta da Comissão de criar uma Guarda Costeira comum que venha substituir a Frontex.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão, mostrou-se confiante que tal vai acontecer, afirmando que estava “satisfeito” com a posição da larga maioria dos líderes europeus. Quanto aos refugiados, Merkel reafirmou que a Itália e a Grécia não podem ficar a lidar sozinhas com milhares de refugiados nos centros de acolhimento.

Já Cameron terá pedido durante o jantar “flexibilidade” aos parceiros europeus na renegociação que se avizinha, segundo avança a BBC. O líder britânico terá dito aos colegas que a crise dos refugiados e a possível chegada de milhares de pessoas aos Reino Unido estava “a prejudicar” os níveis de apoio à permanência do país na União, numa altura crucial para o futuro referendo. À imprensa, Cameron assegurou que as negociações vão ser “muito duras”, mas que o progresso feito esta noite foi muito bom.

No início da tarde, Tusk afirmou que as exigências do Reino Unido, especialmente no que diz respeito à restrição da livre circulação e benefícios para trabalhadores da UE no país, eram “inaceitáveis”. “Não queria parecer demasiado dramático antes da reunião, mas acredito que esta noite foi um daqueles momentos em que avançávamos ou regredíamos”, afirmou Tusk na conferência de imprensa. A discussão deverá ganhar corpo até ao próximo Conselho Europeu de fevereiro, com Tusk a afirmar que os líderes “mostraram as suas preocupações”, mas ao mesmo tempo fizeram notar que “estavam dispostos a encontrar um compromisso”.

A reunião continua esta sexta-feira com a discussão sobre a União Económica e Monetária e medidas para combater o terrorismo.