Nos dias que antecedem o Natal muitas pessoas andam preocupadas com o sítio onde podem deixar as crianças durante as férias, com o que será a ceia ou com os presentes que ainda têm para comprar. Mas lá porque os dias são mais curtos, não se apoquente, as noites são mais longas para compensar. E as noites também trazem surpresas.

O dia 21 de dezembro foi efetivamente o dia mais curto do ano, o Sol nasceu às 7h51 e pôs-se às 17h18 (hora de Lisboa). Mas o solstício de inverno só chegou na madrugada de dia 22, às 4h48 (no continente), segundo o Observatório Astronómico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (OAL). Nesse momento marca-se o início do inverno, mas o frio chegou já esta segunda-feira, com as temperaturas mínimas a baixar, e vai prolongar-se durante a quadra natalícia.

Pouco antes de entrarmos no inverno (às 4:48) a Lua escondeu-se, às 4:19 (hora de Lisboa), mas nasceu Vénus (às 4:37) na constelação de Virgem.

A noite mais longa do ano (por oposição ao dia mais curto) era celebrada por muitos povos pagãos, fosse para afastar os espíritos mais negros ou para marcar um renascimento (porque a partir daí os dias começam a ficar maiores). As fogueiras, que iluminavam a longa noite, pareciam ser um elemento comum. O cristianismo, aproveitando esta época que simbolizava um novo começo na cultura romana, pode ter escolhido celebrar também o nascimento de Jesus – visto que não existe nenhuma referência bíblica ao dia 25 de dezembro, refere a Time.

Inclinação da Terra mostrando como incidem os raios solares no solstício do mês de dezembro - Przemyslaw "Blueshade" Idzkiewicz/Wikimedia Commons

Inclinação da Terra mostrando como incidem os raios solares no solstício do mês de dezembro – Przemyslaw “Blueshade” Idzkiewicz/Wikimedia Commons

Mas afinal o que é o solstício?

Vamos por partes. O eixo que atravessa a Terra do polo norte ao polo sul, não é vertical (em relação ao Sol e à órbita que o nosso planeta descreve em torno deste) – na verdade, está inclinado 23,5 graus. É esta inclinação (e não a distância ao Sol) que condiciona as estações do ano. Por isso, quando o hemisfério norte está “inclinado para longe do Sol” chegam as estações mais frias e no pico desse afastamento temos o solstício de inverno.

Nesta altura do ano, o Sol está mais próximo do horizonte (não passa sobre a nossa cabeça a meio do dia). E quando atinge o ponto mais alto no céu naquele dia – por cima do trópico de Capricórnio -, formam-se as maiores sombras possíveis – devido ao ângulo em que os raios de Sol incidem na Terra.

Mas se no hemisfério norte se comemora o solstício de inverno e o dia mais curto do ano, no hemisfério sul celebra-se exatamente o contrário: o solstício de verão e o dia mais longo do ano.

E Stonehenge?

O monumento pré-histórico, Stonehenge, localizado em Wiltshire (Inglaterra) está perfeitamente alinhado com o pôr-do-sol do solstício de inverno. Já New Grange, na Irlanda, e o círculo de Goseck, na Alemanha, estão alinhados com o nascer do Sol desse dia.

Os arqueólogos acreditam que o Stonehenge foi construído 2.000 ou 3.000 mil anos antes de Cristo e, aparentemente, o povo que o construiu valorizava mais o solstício de inverno que o de verão. O jornal britânico The Telegraph apresenta uma justificação: era no solstício de inverno que se faziam os sacrifícios animais (e assim já não era preciso alimentar os animais no inverno) e também era por esta altura que o vinho e a cerveja estavam prontos para consumo.

Atualizado às 10h00 de 22 de dezembro