O Partido Popular de Mariano Rajoy foi o partido mais votado, mas “parece muito improvável que consiga formar governo”, nota o Royal Bank of Scotland (RBS), um dos bancos de investimento que estão a aconselhar os clientes a vender a dívida pública espanhola. O resultado é que os juros de Espanha estão a disparar mais de 15 pontos base nos mercados, um movimento amplificado pelo facto de o BCE ter interrompido as compras de dívida nos mercados devido ao período festivo. A bolsa derrapa quase 2%.

O cenário de eleições antecipadas, possivelmente no segundo trimestre do ano, parece ser o cenário visto como mais provável por parte dos analistas. O resultado que já estava a ser equacionado, nos últimos dias, pela maioria dos investidores era uma maioria absoluta composta pelo PP de Mariano Rajoy e o centrista Ciudadanos. Mas a votação e a “prestação dececionante do Ciudadanos” fizeram com que este não seja um cenário possível – ficariam a faltar 13 deputados.

Com os juros de Itália e Portugal a subirem ligeiramente, a taxa a 10 anos de Espanha está a agravar-se para 1,85%, uma subida acentuada de 16 pontos base. A culpa é do período de incerteza que se prevê para as próximas semanas. No mercado de ações, o índice IBEX 35 está a descer 1,83%, num dia de ganhos ligeiros em todas as outras bolsas europeias.

“Quaisquer que sejam as contas que se façam, eleições antecipadas parecem ser uma possibilidade distinta”, escrevem os analistas do holandês Rabobank.

Sendo insuficiente uma coligação entre o PP e o Ciudadanos, o RBS diz que “mesmo que o PP conseguisse atrair o Ciudadanos, o PNV e o CC, ainda precisaria que pelo menos um deputado do PSOE, do Podemos ou dos separatistas catalães se abstivesse numa moção de confiança, o que nos parece muito improvável”.

Além disso, “uma grande coligação entre o PP e o PSOE sempre pareceu um cenário fora de questão, e acreditamos que, agora, está ainda mais fora de questão porque o PSOE apenas teve mais 1,5% dos votos do que o Podemos”, nota o RBS. Além disso, para o PSOE, “entrar numa coligação [com o PP] arriscaria encurralar o PSOE num cenário do género do Pasok [na Grécia]”, acrescenta o banco de investimento britânico, que conclui que, neste momento, “a única alternativa real é um governo liderado pelo PSOE“.