“A Finlândia nunca deveria ter entrado na zona euro”, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros Timo Soini, que integra o governo de coligação pelos eurocéticos Verdadeiros Finlandeses e que, como o resto da população, está a ver a Finlândia tornar-se o país com crescimento mais fraco em toda a zona euro.

Timo Soini está a tentar lançar uma petição para que haja um referendo à moeda única na Finlândia, culpando a pertença ao euro pelos problemas associados à crise da dívida e pelo facto de a Finlândia não poder recorrer à desvalorização cambial para conquistar competitividade.

Uma sondagem divulgada terça-feira pela televisão pública Yle demonstrou que uma maioria dos finlandeses (54%) quer permanecer na zona euro, apesar das dificuldades económicas no país.

De acordo com a mesma sondagem, menos de um terço (31%) quer sair da zona euro, mas Timo Soini acredita que este é um debate que “irá ganhar vapor” nos próximos tempos. Isto apesar de a sondagem indicar que as pessoas veem na zona euro uma comunidade que lhes dá algum sentido de segurança e que lhes trouxe uma maior conveniência no que diz respeito às viagens e aos negócios.

O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou, contudo, que “uma saída da zona euro não seria solução imediata para todos” os problemas da Finlândia, que tem sofrido com o colapso da Nokia e da indústria papeleira e não tem sido capaz de criar novas fontes de crescimento. Daí o declínio económico que se prolonga há três anos e que deverá ter continuado em 2015, segundo os economistas consultados pela Bloomberg. Estima-se que mesmo em 2017 a Finlândia só cresça a metade do ritmo previsto para a Grécia.

Onde Timo Soini não vê qualquer oportunidade para estimular o crescimento é na entrada de refugiados no Médio Oriente. “Se a chegada de gente que procura asilo não for controlada na Grécia e em outros países, isso fará com que os países assumam as rédeas da situação”, afirma o ministro dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, que diz que o Acordo de Schengen “não está morto, mas também não deverá ser respeitado”.