A poucos dias de terminar o ano de 2015 e entrarmos em 2016, começam-se a fazer a retrospetiva do ano que agora termina. Mas e que tal olhar para os últimos 15 anos?

Para nos ajudar nisso, o Telegraph pegou num documento da CIA, do ano 2000, onde se especulava como seria o mundo 15 anos depois. Ou seja, em 2015. Em algumas matérias acertaram quase em cheio, noutras acertaram em parte e noutras nem lá perto estiveram. Mas vamos passo a passo:

  • A revolução da Internet
LAS VEGAS, NV - MAY 02: Fans hold up phones with lights as actor/comedian Donald Glover as recording artist Childish Gambino performs at The Chelsea at The Cosmopolitan of Las Vegas during his Deep Web tour in support of the album "because the internet" on May 2, 2014 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Ethan Miller/Getty Images)

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Neste aspeto os especialistas da CIA acertaram em cheio. Estes previram que até 2015 iria ocorrer uma explosão digital e móvel que mudaria o mundo tal como o conhecíamos.

No documento estava assim: “A universal comunicação celular sem fios vai criar a maior transformação global desde a revolução industrial”. Ora, não é preciso estudar nem investigar muito para se perceber que, de facto, isto ocorreu. Aliás, se está a ler este artigo através do seu telemóvel, isso é um sinal dos tempos que vivemos. E uma prova de que a CIA tinha razão nesta matéria.

Mas os autores do estudo vão mais longe e especificam a previsão. Segundo eles esta revolução iria também ter consequências políticas. E no Médio Oriente. Parece que já sabiam que a Primavera Árabe ia acontecer.

  • A explosão da biotecnologia
F365834 11: A Holding Pipette, Left, Positions The Unfertilized Egg While Dna Is Removed Using A Bevel Pipette, In The Process Of Animal Cloning At Texas A&M University March 10, 2000. The Egg Itself Is About 150 Microns Large, Which Is Approximately The Size Of The Head Of A Pin. Genetic Savings And Clone Company In College Station, Texas Is Marketing The Project. (Photo By Getty Images)

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Aqui pode-se dizer que a CIA até acertou, mas apenas em parte. Previa-se que a utilização de órgãos criados artificialmente para realizar transplantes passaria a ser uma prática comum. Mais do que isso afirmava-se que os animais iriam ser clonados para fornecer mais carne, enquanto os terroristas utilizariam a evolução da biotecnologia para criar geneticamente novas doenças como arma.

Mas talvez a parte onde o erro foi maior, aconteceu na previsão de que os ricos iam utilizar este procedimento para aumentar a sua longevidade. Pelo que sabemos, isso não acontece…

  • A ascensão, ou falta dela, da Rússia. E outras previsões da geopolítica internacional
NEW YORK, NY - SEPTEMBER 28: (AFP OUT) Russian President Vladimir Putin takes a call during a luncheon hosted by United Nations Secretary-General Ban Ki-moon at the 70th annual UN General Assembly at the UN headquarters September 28, 2015 in New York City. U.S. President Barack Obama will hold a bilateral meeting with Putin later in the day. (Photo by Chip Somodevilla/Getty Images)

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Desde os tempos da Guerra Fria que a CIA guarda um espaço para a Rússia. Como não podia deixar de ser, quando se prevê o mundo 15 anos depois, há um capítulo dedicado ao país liderado por Vladimir Putin.

Os analistas da agência americana diziam que a Rússia ia reagir negativamente à perda de poder no panorama mundial e que passaria a utilizar as suas reservas de gás para recuperar o protagonismo.

Mas a CIA pensava que tudo isto resultaria no enfraquecimento da Rússia, devido à estratégia de diplomacia internacional baseada quase unicamente no poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. Mas pelo contrário, Putin conseguiu mesmo que o país recuperasse protagonismo internacional, com um poderio militar que faz deste um protagonista em muitos dos conflitos por esse mundo fora.

Mas há mais falhas no que respeita à geopolítica. A CIA calculava que, em 2015, a Coreia do Norte e do Sul já se teriam reunificado bem como teria sido formado o Estado da Palestina em harmonia com Israel. Como se pode verificar nenhum destas situações aconteceu (embora a Palestina tenha já bandeira na sede da ONU e vários processos de aprovação iniciados pelo Ocidente).

Em relação a outro dos ‘inimigos de estimação’ da organização, a previsão também saiu um pouco ao lado: Fidel Castro continua vivo. Não de boa saúde, segundo muitos relatos, mas continua por cá, ao contrário do que previu a CIA.

  • Crescimento populacional
SHENZHEN, CHINA - AUGUST 1: (CHINA OUT) Swimmers pack the Dameisha Bathing Beach on August 1, 2006 in Shenzhen of Guangdong Province, China. With the advent of the travel season, bathing beaches in the city have become major tourist attractions. (Photo by China Photos/Getty Images)

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Neste aspeto o relatório acertou em parte. Isto porque, segundo as previsões, a população mundial iria crescer até aos 7 mil milhões sendo que iria crescer mais lentamente, ou até cair, na Rússia ou na Europa de leste. E nisto acertaram: a população na Rússia desceu desde 2000, como explica o Telegraph.

No entanto, erraram rotundamente em relação ao continente africano. Em vez de a população ter caído devido à epidemia da Sida, em alguns países na África subsaariana disparou.

  • Crise demográfica no Ocidente

Migrants in Greece

Tal como diz o jornal britânico basta um excerto do documento para se perceber que a CIA acertou em cheio:

A taxa de diminuição de trabalhadores e aposentados afetará os serviços sociais, pensões e sistemas de saúde. Os governos vão procurar resolver o problema através de medidas como adiar a reforma, incentivo a uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho, e confiança nos trabalhadores migrantes”.

É, pelo menos, parecido com o que vivemos hoje. Mas há mais:

A imigração vai complicar a integração política e social: alguns partidos políticos vão continuar a mobilizar o sentimento popular contra os migrantes, protestando contra a pressão sobre os serviços sociais e as dificuldades de assimilação”.

Um assunto muito em voga nos dias que correm. E este?

Os países europeus e o Japão vão enfrentar dilemas difíceis na tentativa de conciliar a proteção das fronteiras nacionais e a identidade cultural com a necessidade de abordar os crescentes desequilíbrios demográficos e no mercado de trabalho”.

Provavelmente nem seria necessário o veredicto. Mas, neste caso, a CIA acertou.

  • Situação financeira

Se no ponto anterior a CIA acertou um toda a linha, neste nem por sombras:

A economia global está bem posicionada para atingir um período sustentado de dinamismo até 2015 (…) O crescimento económico global vai voltar aos níveis atingidos na década de 60 e início de 70″, lê-se no relatório.

De facto, o documento considera a possibilidade de uma crise financeira, mas a avaliar pela previsão financeira para 2015, os analistas estavam um pouco longe de adivinhar a dimensão do que vinha a caminho.

  • Terrorismo

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Este é o tema que tem marcado a atualidade mundial nos últimos tempos. E é um dos campos de especialidade da CIA. Por isso, o relatório expressava alguma preocupação pela possível evolução dos ataques terroristas tornando-se mais sofisticados e letais. Este facto iria ser confirmado um ano depois da elaboração do documento. Mais concretamente no dia 11 de setembro de 2001.

O surgimento de grupos terroristas como o Estado Islâmico, mais mortíferos e mais radicais na sua ação, dão igualmente razão ao relatório da agência norte-americana. No entanto, e apesar de alguns relatos nesse sentido, a utilização generalizada de armas químicas, biológicas e nucleares por parte destes grupos não se verifica.