A rede móvel 5G poderá chegar já em 2020. De acordo com a CNN Money, os engenheiros de telecomunicações têm trabalhado arduamente para passar esta tecnologia para o lado de fora do laboratório. Mas, antes disso, existem ainda uma série de problemas a resolver e questões a clarificar.

A primeira é a definição do conceito: o que significa mesmo 5G? É que os padrões que vão definir a próxima geração mobile ainda não foram estabelecidos. É possível que uma definição nasça já em 2018, e que esses padrões sejam definidos em 2019, indica a cadeia de televisão norte-americana, citando Bill Smith, presidente do departamento de operações em rede da operadora AT&T. O organismo responsável por isso é o International Telecommunication Union (ITU), um braço da Organização das Nações Unidas (ONU), sediado em Genebra, na Suíça.

Na prática, o que a ITU vai fazer é estipular que tecnologias se podem chamar de quinta geração. Isto é, que características deve ter um aparelho tecnológico para que se possa dizer que suporta rede móvel 5G. Há ainda que testar tudo antes de puxar o 5G para o mercado — ou vice-versa. Segundo a CNN Money, os primeiros testes in loco deverão acontecer em fevereiro de 2018, durante os Jogos Olímpicos de Inverno, na Coreia do Sul. Há também planos para o fazer entre meados de junho e julho desse ano, durante o Campeonato do Mundo da FIFA, na Rússia. E, por isso, é possível que os primeiros focos de utilização comercial em massa venham a acontecer daqui a cinco anos. Ou seja, em 2020.

Ericsson: 5G em 2016?

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A Ericsson assume estar “preparada” para levar a cabo testes 5G já no próximo ano.

Em comunicado, a marca indica que “com o início das redes 5G comerciais em 2020”, “está a responder aos requisitos dos operadores para testes no terreno já a partir de 2016″.

Para o efeito, deverão ser usados “Protótipos de Rádio 5G” que “têm a dimensão de uma mala de viagem e pesam menos de 20 kg”.

Contudo, quando escrevemos que há barreiras a transpor, dizemo-lo em sentido literal. É que a rede 5G está a ser testada em frequências altíssimas: estamos a falar da banda SHF, ou super high frequences, no original em inglês. Vantagem: uma vez mais, velocidades superiores. Desvantagem: a propagação é muito limitada.

As ondas eletromagnéticas em banda SHF propagam-se praticamente em linha reta e por distâncias relativamente curtas. Também as paredes e muros representam barreiras pelas quais as ondas SHF não conseguem penetrar na maioria dos casos. Este problema vai, provavelmente, traduzir-se na necessidade de criar uma rede muito mais complexa de torres de transmissão.

O que esperar

Por um lado, ainda não sabemos ao certo o que é o 5G. Mas, por outro, é possível deduzir algumas características dos sistemas de quinta geração. A rede 5G será, com toda a certeza, mais rápida que a da geração anterior. Do laboratório chegam-nos números: o 5G tem potencial para ser cerca de 40 vezes mais rápido do que o 4G, o que, hipoteticamente, permite visionar um filme em qualidade 8K sem grandes problemas.

Contudo, interessam-nos números mais próximos da realidade (para os consumidores, as condições são sempre diferentes graças a inúmeros fatores). A Nokia tem apostado na exploração do potencial desta tecnologia e arrisca um número: o utilizador comum poderá alcançar velocidades de ligação quatro vezes mais rápidas do que o 4G, a rondar os 100 megabits por segundo. A rede 5G deverá também reduzir drasticamente a latência entre clientes e servidores — latência virtual de zero milissegundos — e o consumo de energia por parte dos aparelhos.

Porquê tanta urgência?

Transitar para a quinta geração é importante, mas qual o motivo de tanta urgência? O aumento da cobertura e a chegada de aparelhos cada vez mais acessíveis tem feito disparar o número de dispositivos móveis ligados à internet. O consumo da largura de banda disponível aumentou, enquanto os utilizadores devoram furiosamente enormes quantidades de dados a cada segundo. Por isso, a quinta geração, que ainda não chegou, não é uma ambição. É uma necessidade.

Atualmente os dispositivos móveis convivem entre a segunda, terceira e quarta geração. A era do 4G, por exemplo, começou em 2008 e, desde então, a tecnologia tem-se estendido gradualmente aos quatro cantos do mundo. Foi em junho de 2010 que a HTC lançou o EVO 4G, o primeiro telemóvel do mercado a suportar rede móvel de quarta geração. Na altura, além das velocidades mais rápidas, a quarta geração abriu um leque de novas possibilidades: televisão em alta definição, televisão em 3D, videoconferências e computação na nuvem passaram a fazer parte do universo mobile.

E novidades?

A passagem para a quinta geração da rede móvel vai potenciar a expansão do fenómeno da Internet das Coisas (IoT), bem como o desenvolvimento de outras tecnologias e aparelhos mais sofisticados. Irá dar um boost às casas inteligentes, carros inteligentes, relógios, telemóveis, tablets, computadores e todas as outras coisas que o homem planeia ligar à internet nas próximas décadas. Sejam frigoríficos, máquinas de lavar, e por aí em diante.

Um desses exemplos foi abordado aqui no Observador em novembro deste ano. Trata-se do Li-Fi, uma tecnologia inventada por Harald Haas, professor da Universidade de Edimburgo. É um sistema de lâmpadas LED inteligentes que permite transmitir informação. Sim, isso mesmo: imagine ligar-se à internet através das lâmpadas lá de casa.

Não é certo se o 5G chegará mesmo em 2020. Há vários indicadores a apontar para isso e, para terminar, acrescentamos mais um: a investigação no campo da quinta geração de redes móveis não é só feita nos Estados Unidos da América. O Horizons 2020 — o maior programa de investimento em pesquisa e inovação alguma vez lançado pela União Europeia — contempla um investimento numa parceria público-privada (PPP) entre a Information and Communication Technologies (ICT) e a Comissão Europeia. O objetivo da 5G-Infrastructure-PPP é investigar e desenvolver tecnologias relacionadas com a rede 5G e infraestruturas associadas. O montante do investimento: 1.4 mil milhões de euros.

Editado por Diogo Queiroz de Andrade