Madrid, 26 dez (Lusa) — Mais de 300 migrantes africanos tentaram alcançar na sexta-feira o enclave espanhol de Ceuta a nado ou saltando a vedação fronteiriça, e dois morreram afogados, segundo fontes oficiais espanholas e marroquinas.

De madrugada, pelas 03:00 TMG (e de Lisboa), um grupo de migrantes tomou de assalto a vedação de arame farpado perto de Benzu, no norte do território, indicou a representação local do Governo espanhol em comunicado.

Ao mesmo tempo, cerca de 200 outros tentavam entrar em Ceuta a nado, a partir da costa marroquina, noticiou a agência oficial marroquina MAP.

As autoridades marroquinas intercetaram 120 migrantes, mas outros 182 conseguiram alcançar o enclave europeu.

“Três deles tiveram de ser reanimados por agentes da polícia espanhola que os resgataram do mar”, segundo a mesma fonte.

As autoridades de Marrocos recuperaram dois cadáveres do mar perto da fronteira, indicaram responsáveis marroquinos à agência MAP.

Doze migrantes foram transportados para o hospital pela Cruz Vermelha com vários ferimentos, de acordo com as autoridades espanholas.

A Cruz Vermelha espanhola, que tinha antes anunciado que 185 migrantes haviam conseguido entrar em Ceuta, indicou que dois dos migrantes hospitalizados o tinham sido por quase afogamento, um outro devido a uma fratura exposta numa perna e os restantes por apresentarem cortes, alguns dos quais necessitavam de pontos.

Todos os anos, milhares de migrantes arriscam a vida para alcançar os enclaves de Ceuta e Melilla, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África.

A Espanha reforçou as vedações fronteiriças dos dois enclaves no ano passado, para fazer face ao aumento do número de migrantes que tentavam franquear ilegalmente a fronteira.

Alguns tentam subir as vedações de sete metros de altura que separam estes enclaves espanhóis de Marrocos, enquanto outros tentam aí chegar por mar.

No ano passado, 15 migrantes morreram afogados ao tentarem chegar a Ceuta a nado.

Organizações de defesa dos direitos humanos e dos migrantes acusaram a polícia espanhola de ter disparado balas verdadeiras e lançado gás lacrimogéneo.

O Governo espanhol assegura desde então que os seus guardas já não utilizam balas verdadeiras contra os migrantes.