Os governos do Japão e da Coreia do Sul estão a ponderar abordar, em março próximo, a questão histórica das escravas sexuais, descrita como o principal foco de tensão entre os dois países, numa cimeira de líderes em Washington.

A organização desta reunião vai depender do resultado do encontro em Seul que os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países vão realizar na segunda-feira para tratar da delicada questão das mulheres coreanas obrigadas a prostituírem-se pelo exército nipónico durante a ocupação japonesa (1910-1945).

Se os ministros dos dois países acordarem avançar na resolução deste conflito diplomático, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e a Presidente sul-coreana, poderão reunir-se no âmbito de uma cimeira nuclear que será realizada a 31 de março em Washington, informou a agência Kyodo.

Os Estados Unidos pediram em várias ocasiões aos seus aliados Japão e Coreia do Sul para melhorarem as suas relações bilaterais.

O resultado da reunião desta segunda-feira entre o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Fumio Kishida, e o seu homólogo sul-coreano, Yun Byung Se, é, no entanto incerto, já que ambos os países mantêm posições muito distantes sobre as compensações a dar às mulheres sul-coreanas que foram obrigadas a prostituir-se pelo exército nipónico antes e durante a II Guerra Mundial.

Enquanto Tóquio estuda oferecer cerca de 100 milhões de ienes (cerca de 760.000 euros) para a criação de um fundo, Seul pretende que o valor ascenda a 1.000 milhões de ienes (7,6 milhões de euros), segundo fontes diplomáticas citadas pela Kyodo.

Estima-se que cerca de 200.000 mulheres — chamadas ‘mulheres de conforto’ — foram forçadas a prestar serviços sexuais a membros das tropas nipónicas, a maioria delas na China e na península coreana, entre os anos 30 do século passado e o final da II Guerra Mundial, em 1945.