A participação que o Banif tinha na seguradora Açoreana (de 48%), que foi transferida para o veículo público Naviget, vai ser colocada à venda assim que as condições de mercado o permitirem, escreve esta segunda-feira o Diário Económico. Este ativo pode valer entre 30 milhões e 60 milhões de euros e, se houver uma venda, o encaixe reverterá a favor do dono do Naviget, o Fundo de Resolução, que vive das contribuições dos bancos do sistema.

A Açoreana era um dos ativos que Jorge Tomé tinha colocado à venda antes da resolução do Banif, mas esse processo foi interrompido devido ao impasse que se vivia no banco. Agora, essa participação de 48% na seguradora foi um dos ativos que, no âmbito da resolução, foram transferidos para o novo veículo público – o Naviget – sofrendo um corte de 66% face ao valor que tinha no balanço do Banif. O veículo recebeu ativos que estavam avaliados em 2,2 mil milhões de euros mas atribui-lhes um valor de 740 milhões.

É devido a este corte sobre o valor dos ativos do Banif, que Jorge Tomé – depreende-se – acha excessivo, que o ex-presidente do Banif disse em entrevista à SIC que as eventuais vendas irão gerar uma mais-valia para o Naviget. Uma mais-valia que reverterá a favor do Fundo de Resolução e, portanto, capitalizará essa instituição. Está em causa, por exemplo, uma mitigação de um eventual prejuízo da banca com a venda do Novo Banco se esta for feita a um valor abaixo dos 4.900 milhões de euros que lá foram injetados pelo Fundo de Resolução.

Voltando à notícia do Diário Económico desta manhã, o jornal acrescenta que os restantes 52% nas mãos da Rentipar, a holding dos herdeiros de Horácio Roque, o fundador do Banif. Segundo as fontes contactadas pelo Económico, o Naviget deverá avançar com o processo de venda mesmo que a Rentipar não queira participar.

Banif tem 39.728 pequenos acionistas, diz o Diário Económico

O jornal financeiro diz que o Banif, entidade que permanece como “banco mau” mas que será liquidada em breve, tem 39.728 pequenos acionistas. Esses acionistas têm 31,33% do capital do banco – o restante são acionistas institucionais e, claro, o Estado, que tinha um pouco mais de 60%.

O Diário Económico escreve, também, que nos planos de Jorge Tomé estava uma transferência de ativos problemáticos mas apenas de 900 milhões de euros, o que já seria suficiente para facilitar a venda da posição do Estado no banco a um investidor privado. No âmbito da resolução, mais do dobro desse montante foi injetado em fundos públicos, sendo transferidos uma parte dos ativos para o veículo Naviget.