O ex-ministro da Educação e presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), David Justino, critica a “febre” que existe de se estar sempre a revogar e a mudar tudo na educação e, em entrevista ao Diário de Notícias, sugere que as mudanças resultem de avaliações rigorosas.

Questionado sobre o projeto de resolução, apresentado pelo grupo parlamentar do PCP, que recomenda ao governo a suspensão imediata das metas curriculares no primeiro ciclo do ensino básico, David Justino respondeu que “a suspensão não resolve nada”.

O ex-governante admite que “as metas são um instrumento que deve ser alterado” pois “ninguém consegue fazer coisas logo na perfeição”. Mas, para tal, “tem de ser feita uma avaliação exaustiva e ver o que tem de ser melhorado. Estarmos só a suspender, já, não me parecer fazer sentido”, defendeu David Justino, acrescentando que “o processo deverá passar por uma comissão especializada que, junto das escolas, vá ver como essas metas estão a ser apropriadas, como estão a ser aplicadas e em que contextos”. E desta forma encontrar soluções, até junto dos professores que as estão a aplicar.

E este conselho aplica-se não só às metas, como a muitas outras matérias na educação. “Há uma febre muito grande de revogar e de suspender. A educação não pode andar sempre neste para, arranca. O que é necessário fazer é antes de revogar identificar o problema, saber qual é o problema, fazer uma avaliação rigorosa com base em gente que sabe do assunto, falando com as pessoas, avaliar e depois propor ao ministério. Discutir isto na praça pública, com pessoas que sabem e não sabem, não pode produzir bons resultados”, rematou.

O próprio Ministério da Educação já respondeu ao PCP, dizendo que a forma como os alunos são avaliados e como os programas são ensinados não vai ser alterada sem antes haver uma avaliação científica e pedagógica do atual modelo.