Mais de 1.100 civis foram mortos pela polícia ao longo do ano de 2015 nos Estados Unidos, onde foram contabilizados, pela primeira vez, de forma independente os homicídios cometidos pelas forças de segurança. O último caso decorreu no sábado em Chicago: chamados no âmbito de uma simples disputa familiar, agentes em patrulha terão aparentemente abatido um homem de 19 anos e a sua vizinha, mãe de cinco crianças.

O primeiro, Quintonio LeGrier, que empunhava um taco de basebol, sofria de perturbações psiquiátricas, enquanto a segunda, Bettie Jones, não fez mais do que abrir a sua porta de casa, segundo os advogados.

O “mayor” de Chicago, Rahm Emanuel, anunciou, esta quarta-feira, um conjunto de reformas policiais precisamente para evitar o alto número de incidentes mortais entre os agentes da polícia e civis que a terceira maior cidade norte-americana regista.

A braços com pedidos que exigem a sua demissão, Rahm Emanuel indicou que a principal medida passa por se dar “mais tempo e distância” entre agentes e civis, de forma a privilegiar “a conversação e menos a confrontação”, frisando que há uma diferença entre poder e dever utilizar uma arma de fogo.

Emanuel deu uma conferência de imprensa após interromper as suas férias em Cuba depois de mais uma morte de um afro-americano desarmado às mãos da polícia. Muitos contestatários criticaram o “mayor”, considerado próximo do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por só agir quando surge uma crise e de não trabalhar para prevenir décadas de abusos policiais.

LeGrier e Jones também eram negros, algo que, neste contexto, não é um dado insignificante, dado que os negros representam proporcionalmente uma parte importante do número de pessoas mortas pela polícia dos Estados Unidos, explicando-se assim as críticas contra o FBI, que não publica esses dados estatísticos sensíveis.

Para colmatar esta lacuna, dois jornais, a edição norte-americana do Guardian e o Washington Post, realizaram a sua propria contagem em 2015, ano crucial devido à multiplicação de vídeos.

Segundo o Guardian, 1.130 pessoas foram mortas pela polícia até quinta-feira, dia 30, independentemente da forma. Já o Washington Post, que apenas contabiliza as pessoas mortas a tiro pelas autoridades, avançava na quinta-feira um balanço de 979 civis mortos. As vítimas encontram-se, neste caso, divididas em três categorias, em que se sinaliza, por exemplo, se estavam armadas ou representavam uma ameaça, se sofriam de perturbações mentais ou se estavam em vias de fugir das autoridades.

Na maioria dos casos em que os polícias abateram um atacante armado, esse indivíduo era branco, sublinha o jornal. Mas a questão da cor da pele é bem mais central para os casos em que o perigo era menor: os homens negros, que constituem apenas 6% da população norte-americana, representam 40% das pessoas desarmadas que foram abatidas pela polícia.