Duas casas de Ansiães, Amarante, estão em “perigo iminente” devido ao deslocamento de terra e areia das obras da Autoestrada do Marão, alertou o presidente da Junta, em declarações à agência Lusa.

António Brandão afirmou que os materiais, sobretudo inertes, têm sido arrastados pela água que escorre de um talude com mais de 100 metros de altura, no lugar de Casal, junto à autoestrada A4, em plena serra do Marão.

Uma das casas, frisou o autarca, está praticamente encostada a um muro que já desabou parcialmente. Parte do terreno onde se encontra implantada a habitação também foi levada pela água, acentuou. Um segundo edifício, onde funciona um café, está a poucos metros do ponto por onde passa, “a céu aberto”, o material arrastado pela água.

“Se nada for feito rapidamente, outras 20 casas, situadas a cerca de 400 metros, poderão ficar em perigo”, avisou António Brandão.

A situação foi potenciada pela chuva intensa que tem caído na região, sobretudo nas últimas 48 horas.

À Lusa, o autarca acrescentou que duas ruas (Olival e Casal) foram encerradas à circulação, devido à acumulação de pedras, terra e areia.

António Brandão disse que a situação não é nova e ocorre sempre que chove com mais intensidade.

“Já comunicámos o caso várias vezes à Infraestruturas de Portugal, mas nada fizeram até agora”, lamentou-se, enquanto acusava os responsáveis da obra de “negligência” face à situação.

“Queremos garantias, por escrito, de que vai ser resolvido o problema”, exclamou.

A autarquia de Ansiães vai contratualizar “os serviços de uma sociedade de advogados especialistas na matéria para interporem de imediato uma providência cautelar contra os responsáveis pela obra”, adiantou ainda à Lusa.

A pedido da Junta de Freguesia, uma equipa da Proteção Civil de Amarante, elementos da GNR e um técnico responsável da Infraestruturas de Portugal estiveram hoje no local.

À Lusa, o comandante da proteção civil concelhia, Hélder Ferreira, afirmou que, de acordo com informação de hoje da empresa responsável pela obra, a segurança “está acautelada” e o caso está a ser acompanhada de perto pelo empreiteiro.