João Galamba, deputado e porta-voz do PS, foi rápido a responder à esquerda e põe-se ao lado do Bloco de Esquerda e do PCP, defendendo que o Novo Banco se deve manter sob o controlo do Estado. “A existência de um sistema bancário composto essencialmente por bancos privados criou um problema. Convém evitar que as regras europeias criem novos problemas”, defende o socialista, mostrando-se crítico das atuais diretrizes europeias.

Num artigo de opinião publicado no site do jornal Expresso, João Galamba, responsável nacional do PS pela comunicação, afirma que a “socialização dos custos” na queda de um banco “nunca pode ser totalmente eliminada” porque esta atividade não é possível sem uma “garantia implícita do Estado e dos contribuintes”. Por isso, e contra as normas europeias agora em vigência, Galamba defende, tal como BE e PCP, que bancos como o Novo Banco “devem ser tratados como bancos públicos e vendidos apenas se e quando o Estado os quiser vender”.

“Se o Estado for obrigado a vender, então as regras deixarão de ser apenas sobre recuperação e resolução bancária, passando a constituir uma forma inaceitável de penalização da propriedade pública. (…) O Estado pode não ter alternativa a intervir, mas tem de ter alternativa a vender”, escreveu João Galamba.

Na linha deste artigo, também Jorge Costa, dirigente do Bloco de Esquerda, escreve esta segunda-feira no esquerda.net, site oficial do partido, questionando qual é a maioria que o PS vai seguir na resolução do Novo Banco. O dirigente bloquista afirma que se trata de um “projeto político” e que António Costa vai precisar de “instrumentos fortes de banca pública” para condicionarem todo o sistema bancário. “É por isso que o Novo Banco não deve ser vendido”, afirma o bloquista, consubstanciando a exigência da manutenção do Novo Banco na esfera pública, condição apresentada por Catarina Martins para a viabilização do Orçamento Retificativo.

Também o PCP é a favor da manutenção deste banco por parte do Estado, com o Comité Central do partido a insistir no final de dezembro que “a melhor solução para o Novo Banco, que o colocará de facto ao serviço da economia nacional e das famílias portuguesas, é ficar sob controlo público e não ser vendido a um ou mais grupos privados”, segundo noticiou a Lusa.