Na Rússia há leis rigorosas sobre o conteúdo dos livros infantis. É uma escritora que conta a sua própria experiência de “censura” ao The Guardian. Anna Starobinets preparava-se para lançar uma coleção de livros chamada “Beastly Crime Chronicles” cujo enredo girava à volta das aventuras de um detetive com animais da floresta. Mas houve vários pormenores que estavam “fora da lei”.

Uma editora ficou interessada em publicar a primeira história de três, chamada Inside the Wolf’s Den. Mas antes a história teve de passar pelo crivo da censura. E não ficou bem cotada. Tudo por causa de uma nova lei russa sobre as histórias infantis que visa “proteger as crianças de qualquer informação que possa ameaçar a saúde e o desenvolvimento”. É expressamente proibido difundir conteúdo infantil que alicie as crianças “para o uso de drogas, tabaco e álcool; que tolere ou apoie violência ou cenários de brutalidade e que vá contra os valores de família”.

Problema: a história de Anna Starobinets incluía a morte de um rato e uma bebida inventada pela autora — os Mothitos, uma espécie de mojitos, mas feitos com mariposas (uma espécie de borboletas). O editor que recebeu o texto ficou apreensivo e, para facilitar a publicação, “contratou um ilustrador que desenhasse tudo num ambiente fofinho”, ao contrário do estilo negro desejado pela autora, explica a própria ao jornal. Decidiu ainda mudar o público-alvo dos 8 anos para os 14 anos e mais.

A censura aos livros infantis não é novidade. Em junho do ano passado, um livro sobre dois pinguins que estavam juntos e deram origem a um pinguim bebé foi censurado numa escola de Itália e em vários pontos dos Estados Unidos. “E o tango faz três” faz parte da lista dos 25 livros mais censurados nos últimos 25 anos da Bustle.

pinguim tango

Capa do livro polémico.