O relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinianos ocupados, Makarim Wibisono, apresentou a sua demissão porque Israel nunca o autorizou a entrar naqueles territórios, anunciou a ONU.

Wibisono assumiu funções em junho de 2014. Desde então nunca foi autorizado por Israel a deslocar-se aos territórios palestinianos ocupados, indicou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos em Genebra. Precisou que o relator fez um novo pedido de acesso em outubro e não recebeu qualquer resposta das autoridades israelitas.

O antecessor de Wibisono, o norte-americano Richard Falk, também não foi autorizado por Israel a visitar os territórios palestinianos.

Em junho de 2015, Emmanuel Nahshon, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, explicou à agência France Presse que o seu país não tinha permitido uma visita de Wibisono por considerar o seu mandato “anti-israelita”.

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“Israel coopera com todas as comissões internacionais e todos os relatores, exceto quando o mandato que lhes foi confiado é à partida anti-israelita e Israel não tem oportunidade de ser ouvido”, disse Nahshon.

Wibisono considerou hoje ser importante que Israel coopere “plenamente, incluindo permitindo o acesso sem entraves aos territórios palestinianos ocupados” e lamentou que os seus “esforços para ajudar a melhorar as vidas dos palestinianos vítimas de violações sob ocupação israelita tenham sido sempre torpedeados”.

“Espero sinceramente que o meu sucessor consiga resolver o atual impasse e assegurar ao povo palestiniano que após quase meio século de ocupação o mundo não esqueceu a sua situação desesperada e que os direitos humanos são universais”, afirmou num comunicado.

O relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinianos ocupados é nomeado pelo Conselho dos Direitos do Homem da ONU, uma instituição com a qual o Estado hebreu tem relações conflituosas.

Israel já boicotou por diversas vezes sessões do Conselho, que considera um órgão “completamente politizado”.

Makarim Wibisono deixará o cargo a 31 de março, no final da próxima sessão do Conselho dos Direitos Humanos (de 29 de fevereiro a 24 de março), perante o qual apresentará o seu último relatório.