Achou graça à ideia da exposição Coming Out, do Museu Nacional de Arte Antiga, que ao longo de três meses levou às ruas de Lisboa várias reproduções de quadros do seu espólio? Aliás, achou tanta graça que até gostava de ter uma dessas réplicas em casa? Então hoje é o seu dia de sorte: nós explicamos-lhe como é que isso é possível. Basta participar no leilão organizado pelo museu. Veja como.

Leilão. Começa esta quarta-feira, dia 6, às 10h e termina no dia 10 às 22h. Neste intervalo de tempo, qualquer pessoa pode licitar quantas vezes quiser, em quantas obras quiser. Acontece tudo no site do Palácio do Correio Velho. Basta escolher uma peça e insistir até ficar com ela. Isto depois de fazer o devido registo no site. A base são cem euros, fica com cada uma das peças quem der mais. Mais ou menos como funciona uma leilão em carne e osso, mas à distância e durante vários dias (e a qualquer hora).

Licitações. Isto não significa que podemos dar o que quisermos. As licitações têm regras e fazem uso da palavra “incrementos”. Ora quer isto dizer que não podemos oferecer qualquer quantia. Tal como um leiloeiro de martelo na mão, o sistema que estará online apresenta o valor da licitação em cada momento. O que os interessados podem fazer é clicar no botão que diz “licitar” e o tal incremento continua a subir. Como se a máquina dissesse “quem dá 20?” ou “alguém dá 50?”, mais ou menos isso.

Limite. Outra forma de licitar é definindo à partida um limite até ao qual queremos ir. Se ninguém ultrapassar esse limite, está ganho – mas pelo valor da última licitação, não necessariamente pelo valor do nosso limite. Exemplo: queremos o retrato de D Afonso de Albuquerque na sala, queremos mesmo muito, e estamos dispostos a ir até aos 400 euros por ele. Se as licitações não forem além dos 200, Afonso de Albuquerque é nosso e pagamos 200 pelo retrato. Negócio fechado.

Valor máximo. Não há estimativa para o valor máximo que as peças podem atingir. Isso mesmo foi dito ao Observador pelo director do MNAA, António Filipe Pimentel. Essencialmente porque são réplicas e não há uma cotação artística das peças. O que pode fazer variar o interesse dos participantes no leilão são as variáveis habituais de quem vai às compras: o gosto e o tamanho, já que algumas reproduções têm mais de três metros de comprimento, por exemplo.

Pagamento. É o costume: dinheiro, cheque, transferência, cartão de crédito, multibanco, pay pal. O importante é pagar em cinco dias, caso contrário o negócio pode ser anulado.

Recolha. Depois de terminado o leilão, o Palácio do Correio Velho dá oitos dias úteis para que os compradores dos lotes os levantem, na sede da leiloeira ou no armazém (dependendo da dimensão das peças). Os contactos estão no site do palácio. Se quiser receber as peças em casa, os lotes serão entregues por uma empresa externa à leiloeira, o que implica custos adicionais.

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Falta um pedaço ao quadro “Salomé com a Cabeça de São João”, de Lucas Cranach

Certificação. As peças não trazem nenhum selo ou carimbo da exposição Coming Out do MNAA mas são acompanhadas pelas respectivas placas com a legenda, que também estavam nas ruas. No caso de essas placas terem desaparecido, serão reimpressas e entregues aos compradores das obras. Há cinco quadros que vão a leilão e que foram alvo na rua de riscos, assinaturas, desenhos ou perfurações. São eles “Martírio de São Vicente”, de Nuno Gonçalves; “Virgem com o menino e Santos”, de Hans Holbein, o Velho; “Grupo familiar”, de Pieter de Grebber; e “Retrato do Conde de Farrobo”, de Domingos Sequeira. Ao quadro “Salomé com a Cabeça de São João”, de Lucas Cranach, falta mesmo um pedaço. Veja as imagens de todas as peças na fotogaleria em cima — e decida quantos quer em casa.