A bolsa chinesa voltou a fazer história, mas pelos piores motivos, e fechou apenas 30 minutos depois de começar a negociar. As medidas que o banco central está a tomar para tentar estimular a economia estão a deixar os investidores ainda mais nervosos e o mecanismo para impedir perdas na bolsa voltou a criar problemas.

A saúde da segunda maioria economia do mundo está a ser posta em causa cada vez mais pelos investidores. As medidas do banco central chinês estão a confundir os investidores, que já estão nervosos com a possibilidade de os grandes investidores despejarem as suas participações nos mercados.

Mas nem tudo é economia nas dores de cabeça chinesas. Quando as três principais praças chinesas – Zangai, Shenzhen e Hong Kong – abriram esta segunda-feira, já o fizeram estando em vigor um novo mecanismo para impedir perdas excessivas numa só sessão.

O mecanismo foi colocado em prática para evitar grandes oscilações na bolsa e faz com que as negociações em bolsa sejam suspensas durante 15 minutos caso a perda geral atinja os 5%. Se chegar aos 7%, a bolsa fecha para o dia.

Para medir esta oscilação, o mecanismo controla a variação do CSI 300, um índice que lista as 300 maiores empresas de Xangai e Shenzhen. Se este índice atingir os limites explicados, a bolsa é suspensa ou é encerrada mais cedo.

Não seria uma grande mudança, nem muito diferente do que acontece nas restantes bolsas mundiais – algumas delas têm cláusulas semelhantes, embora com limites diferentes – se não expirasse na sexta-feira a proibição dos grandes acionistas das empresas chinesas de venderem as suas participações.

Para evitar maior pânico e uma espiral ainda maior de quedas na bolsa, as autoridades chinesas decidiram em julho proibir estes acionistas de vender as suas participações durante seis meses. A proibição acaba na sexta-feira, e os restantes investidores estão com receio que estes grandes investidores comecem a despejar as suas participações no mercado.

Com os limites às quedas introduzidos, os pequenos investidores podem menos não ter capacidade de vender as suas participações antes do mercado fechar para o dia, algo que já está a acontecer com a corrida à venda de participações.

Por sua vez, o banco central chinês continua a tentar acalmar os investidores, mas a receita não está a funcionar. O banco central marcou esta quinta-feira a taxa de câmbio do yuan em menos 0,5% face ao dólar, mas rumores de que estaria a valorizar a sua moeda com compras no mercado deixaram os investidores ainda mais nervosos, questionando a intenção das autoridades.

O resultado foi o que se viu. A bolsa só esteve aberta 15 minutos. Negociou durante os primeiros 10 minutos, foi suspensa durante quinze minutos por que o índice composto de Xangai já caia 5%. A bolsa voltou a negociar durante 5 minutos, mas rapidamente ultrapassou a barreira dos 7% e o dia terminou mais cedo, pela segunda vez esta semana, naquele que foi o dia mais curto de negociações nos 25 anos de história das praças chinesas.

“Estou sem palavras. Estava a preparar-me para fechar a minha posição, mas não o consegui fazer porque o título já tinha caído os 10% do seu limite diário”, confessou ao Wall Street Journal Gu Yan, um investidor de retalho baseado em Xangai.

Qian Qimin, um analista da Shenvin Wanguo Securities, diz que a queda nas ações terá sido causada pela expectativa que a moeda chinesa vai voltar a ser desvalorizada.

Se isto acontecer, o sinal dado aos mercados é de que a economia chinesa estará em maiores dificuldades que o reconhecido atualmente, numa altura em que já se espera que cresça ao ritmo mais baixo das últimas duas décadas.